Teoria quântica vence (outra vez) Einstein

Arthur Sasse / PD

Albert Einstein, o génio com sentido de humor

Albert Einstein, o génio com sentido de humor

Cientistas da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, comprovaram através de uma experiência um dos princípios mais fundamentais da mecânica quântica – a de que objetos separados por uma grande distância podem afetar instantaneamente o comportamento um do outro.

A descoberta é mais um golpe para um dos princípios fundamentais da Física clássica conhecido como “localidade”, que afirma que um objeto é influenciado diretamente apenas pelo que está nas suas proximidades.

A teoria quântica sugere que uma mesma partícula pode estar em dois estados ao mesmo tempo e que um estado pode influenciar o outro instantaneamente. A hipótese é tão estranha que Einstein se recusou a aceitar que fosse possível, chamando-lhes uma “ação fantasmagórica à distância” e defendendo que devia existir uma “variável escondida”.

O estudo dos investigadores da universidade holandesa, publicado na Nature, foi liderado por Ronald Hanson, do Instituto Kavli de Nanociência de Delft, em conjunto com cientistas de Espanha e Inglaterra, e traz provas mais fortes para apoiar os princípios fundamentais da teoria da mecânica quântica sobre a existência deste mundo estranho formado por um tecido de partículas subatómicas em que a matéria só toma forma quando observada e o tempo corre para trás ou para frente.

Os cientistas descreveram a experiência como um “teste livre de falhas do teorema de Bell”, referindo-se a um teste proposto em 1964 pelo físico John Stewart Bell como forma de provar que este efeito à distância é real e que era impossível existir a tal “variável escondida”.

Os investigadores de Delft conseguiram emaranhar dois eletrões separados por uma distância de 1,3 kme partilhar informações entre eles, colocando dois diamantes em extremos opostos do campus da Universidade de Delft – suficientemente longe para descartar a possibilidade de se comunicarem pela proximidade. Os físicos usam o termo “emaranhamento” para se referir a pares de partículas que são gerados de tal maneira que não podem ser descritas separadamente.

Os cientistas afirmam que já descartaram todas as chamadas variáveis ocultas possíveis que ofereceriam explicações para esse “emaranhamento” de longa distância com base nas leis da Física clássica.

“Estes testes vêm sendo feitos desde o final dos anos 1970, mas sempre de uma forma que exige pressupostos adicionais”, descreve Hanson. “Agora confirmamos que a ação fantasmagórica à distância existe“, assegura o físico.

A experiência acaba por ser não apenas uma defesa da exótica teoria da mecânica quântica, mas também um passo em direção a uma aplicações práticas, como a “Internet quântica” – que pode aumentar a segurança da Internet e a infraestrutura do comércio eletrónico numa altura em que estão a fragilizar-se perante computadores poderosos que representam um problema para as tecnologias de criptografia baseadas na capacidade de contabilizar números grandes e outras estratégias semelhantes.

Uma possível rede de comunicação quântica formada a partir de uma cadeia de partículas emaranhadas à volta de todo o globo permitiria partilhar chaves encriptadas de forma segura – e conhecer com certeza absoluta as tentativas de espionagem.

ZAP

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2 COMENTÁRIOS

  1. Não tem nada de fantasmagórico, e a escolha desse termo é uma demonstração de imbecilidade. Também não é uma questão de variável escondida.

    A questão é que o Espaço é ele próprio uma ilusão criada pela cosnciência. Na realidade a um nível verdadeiramente fundamental o espaço é ilusório e tudo é não-local. Onde estão os pensamentos? No cérebro? Não… A Física quantica já demonstrou desde os anos 30 que a realidade só se materializa quando alguma forma de consciência a “renderiza”, por assim dizer (ver: double slit experiment).

    Tudo é uma renderização de dados (informação, zeros e uns) por parte da consciencia. Quando num ecrã de computador vemos um jogo onde o personagem anda kilómetros para a frente ou para a esquerda, na verdade não há frente nem esquerda. um ecrã de computador está a mostrar uma renderização virtual gerada por um computador. Toda a nossa realidade é uma renderização de informação e “informação” não tem localidade nem dimensões. É como um desenho vectorial… Por kilómetros que tenha, é só uma expressão matemática – Informação.

    O cérebro, sendo matéria é ele próprio produto de renderização da consciência. Também uma ilusão… Por isso não é o cérebro que produz consciência. A consciência é que produz o cérebro.

    Nada do que é material tem dimensão nem localização independente da consciência.

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