Atenção, geração de 90: o Tamagotchi faz 25 anos

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Se nasceu nos anos 90 deve sentir nostalgia ao ler que o icónico Tamagotchi, o animal de estimação digital que encontrou um lugar especial nos corações de uma geração, faz 25 anos.

Nasceu a 23 de novembro de 1996 e completa este ano o seu 25.º aniversário. Começou a sua vida no Japão, mas depressa conquistou o mundo. Diz-se ainda que o nome deriva de duas palavras japonesas – tamago e tomodachi – que significam, essencialmente, “amigo ovo”.

O propósito deste dispositivo foi, desde o início, servir como animal de estimação digital para crianças, sem exigir tantos cuidados como um ser vivo mas, ao mesmo tempo, pondo à prova a responsabilidade dos mais pequenos.

O mais curioso é que o conceito original da Bandai era apostar na história de que cada criatura cibernética tinha viajado milhões de quilómetros do seu planeta natal para aprender como é viver na Terra. Aliás, as suas caixas de plástico serviam para as “proteger” contra a atmosfera desconhecida do nosso planeta.

O Tamagotchi não tem uma origem alienígena, mas é de outro mundo: em menos de um ano, até junho de 1997, mais de 10 milhões deram a volta ao mundo. Hoje, é um dos símbolos de uma geração.

Um jogo contínuo que apela ao cuidado

Quem tinha um Tamagotchi tinha de o alimentar, limpar as suas fezes, diverti-lo e até apagar as luzes do quarto na hora de dormir, sob pena de a criatura sofrer uma morte negligente.

A Wired escreve que a característica de “jogo contínuo” foi revolucionária na indústria dos videojogos. Nos anos que se seguiram, tornou-se uma característica-chave de muitos jogos extremamente populares.

“Esperávamos que fosse bom, mas não esperávamos que fosse um sucesso tão grande ao ponto de a produção não conseguir acompanhar a procura”, confessou Nobuhiko Momoi, diretor-geral do Tamagotchi na Bandai.

A empresa acredita que o sucesso se deve ao facto de apelar ao instinto de cuidado humano: neste caso, o desejo de cuidar de um animal de estimação digital, acompanhando o seu crescimento e certificando-se de que não morre.

Um pequeno ovo, que cabe numa mão de uma criança de meia dúzia de anos, proporcionou-lhes um sentido de responsabilidade extremo – e elas aceitaram-no com entusiasmo.

“Tínhamos dado à luz uma categoria de brinquedos totalmente nova”, resumiu Momoi.

Os videojogos também são para meninas

Se as consolas Nintendo foram diretamente colocadas nas prateleiras da secção de brinquedos para rapazes da Toys’R’Us, com o Tamagotchi aconteceu exatamente o contrário.

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O dispositivo foi um dos primeiros a ser comercializado especialmente para meninas e desafiou a hipermasculinidade que, na altura, estava associada aos videojogos.

O mais irónico é que o fez através de estereótipos de género especialmente dominantes na altura. O Tamagotchi era um brinquedo desenhado para meninas, que evidenciava traços estereotipados femininos, como o instinto materno ou o conceito de cuidar.

No fundo, para que as raparigas pudessem jogar videojogos, teriam de assumir o papel de cuidadoras.

Vinte e cinco anos depois, o Tamagotchi chegou às mãos de meninas e meninos, crianças e adultos, apaixonados por videojogos e amantes da vida real. Do Japão para o resto do mundo, conquistou uma geração que, ainda hoje, não se esquece das memórias que criou com um pequeno ovo amigo.

E mesmo que os aparelhos não acompanhem o ritmo da tecnologia, o seu valor continuará a aumentar. Pelo menos, o sentimental.

  Liliana Malainho, ZAP //

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