Talibãs afirmam desconhecer presença de Al-Zawahiri em Cabul

Hamid Mir / Wikimedia

À direita Ayman al-Zawahiri, líder da Al-Qaeda morto no domingo, com Osama Bin Laden

O Governo do Afeganistão garante que não sabia que o sucessor de Osama Bin Laden estava no país e alertaram os Estados Unidos.

Os talibãs anunciaram que vão investigar a reivindicação norte-americana da morte do líder da Al Qaida, Ayman al-Zawahiri, que os Estados Unidos anunciaram ter abatido, domingo, com um míssil disparado a partir de um drone em Cabul. Num comunicado, as autoridades de Cabul referem que desconheciam quer a chegada quer a permanência de Al-Zawahiri ao Afeganistão.

“As autoridades do emirado islâmico do Afeganistão pediram aos serviços secretos que realizassem um inquérito aprofundado e sério ao incidente”, lê-se num comunicado oficial. Terça-feira, sem referir o nome do líder jiadista, sucessor de Osama bin Laden à frente da Al-Qaeda, assassinado em 2011 numa operação no Paquistão, o Governo talibã condenou o ataque americano em Cabul, considerando ter-se tratado de uma violação do acordo de paz de Doha.

O ataque “repete a experiência fracassada dos últimos 20 anos e vai contra os interesses dos Estados Unidos, do Afeganistão e da região”, avisou então um porta-voz governamental. “A repetição dessas ações prejudicará as oportunidades potenciais” de estabilizar a região.

O acordo de Doha, assinado em fevereiro de 2020 entre os Estados Unidos e os talibãs, definiu a retirada completa das forças americanas do Afeganistão após duas décadas de conflito, que terminou há um ano após a conquista de Cabul pelos islamitas.

A saída dos Estados Unidos foi decidida sob a condição, entre outras, de que o Afeganistão não voltasse a ser santuário de terroristas, como aconteceu durante o anterior regime talibã, entre 1996 e 2001, marcado pelo apoio a Bin Laden e pelos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque e Washington.

No comunicado, os talibãs também dão garantias de que o Afeganistão não constitui perigo para o Ocidente, sobretudo para os Estados Unidos, assegurando estarem empenhados no cumprimento dos acordos de Doha.

Segundo a Casa Branca, Al-Zawahiri foi morto quando estava na varanda da residência onde estava hospedado e um drone disparou dois mísseis contra ele. Apenas o líder da Al-Qaeda foi morto na operação e não houve danos colaterais, assegurou Washington.

No início deste ano, o líder da organização terrorista mudou-se, com a família, do Paquistão para a capital afegã. Segundo os Estados Unidos, o septuagenário Al-Zawahiri ainda constituía uma ameaça para os cidadãos, interesses e segurança nacional dos Estados Unidos, pelo que a sua morte “fez justiça”.

Al-Zawahiri “esteve profundamente envolvido no planeamento dos ataques de 11 de setembro. Durante décadas foi responsável por orquestrar ataques contra cidadãos americanos. Agora, foi feita justiça e este líder terrorista já não existe”, disse o Presidente Joe Biden, ao justificar o ataque.

  // Lusa

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