// Boeing; Space X

Nave Starliner da Boeing atracada na Estação Espacial Internacional. A aproximar-se, uma nave Dragon da Space X
Os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams descreveram quão perto estiveram do fracasso total. Quase nem regressaram à Terra, admitiram.
O cenário foi complicado: em Junho do ano passado a Starliner da Boeing ficou presa na Estação Espacial Internacional.
A nave Starliner, da Boeing, tinha levado pela primeira vez astronautas à Estação Espacial Internacional, dias antes. E os astronautas quase nem voltaram à Terra. A nave teve falhas de propulsão e fugas de hélio.
A certa altura, já em Agosto, o seu regresso era incerto. Em Setembro a cápsula Starliner separou-se da Estação Espacial Internacional para iniciar o regresso à Terra – mas sem os dois astronautas que tinha levado, devido a preocupações com a segurança do dispositivo.
Os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams conseguiram mesmo voltar: aconteceu só há duas semanas, numa Dragon da SpaceX. A missão ia durar 8 dias e durou 9 meses e meio.
Em entrevista à Ars Technica, os dois astronautas da NASA revelaram agora que o susto foi maior do que sabíamos, e descreveram quão perto estiveram do fracasso total – com falhas nos propulsores que quase comprometeram o regresso à Terra.
Houve dificuldades críticas durante a acoplagem à estação. Uma série de falhas nos propulsores de controlo quase deixou a cápsula incontrolável, colocando Wilmore e Williams numa situação perigosa. A certo ponto, Wilmore confessou ter duvidado da hipótese de regressar em segurança.
“Não sei se conseguimos voltar à Terra neste ponto. Na verdade, estou a pensar que provavelmente não conseguimos”, recordou, referindo-se ao momento em que a cápsula ficou com “tolerância zero a falhas” — ou seja, mais uma falha poderia ter implicado a perda total de controlo.
Mais um propulsor com defeito levava a que os astronautas perdessem o controlo total do movimento da cápsula.
“Somos tolerantes a falhas únicas, e aí eu pensei: ‘Uau, temos de deixar a estação espacial‘”, conta Butch Wilmore. “Porque conheço as regras de voo”, recordou.
A decisão controversa da NASA de ignorar regras de segurança de voo para permitir a acoplagem, apesar das várias falhas nos propulsores, levantou sérias preocupações. Segundo Wilmore, os astronautas não sabiam que esses protocolos estavam a ser ignorados durante a missão.
“Não sabia que os diretores de voo já estavam em discussões sobre a renúncia à regra de voo porque perdemos dois propulsores. Não sabíamos porquê. [As regras de voo] simplesmente caíram”.
“Já tínhamos passado o momento em que devíamos ter saído, e agora somos tolerantes a zero falhas e eu estou no controlo manual”, recordou Wilmore. “E, oh meu Deus, o controlo está lento. Nem parece a mesma nave, comparando com o primeiro dia. Sou capaz de manter o controlo? Sou. Mas não é a mesma coisa.”
“Houve muita comunicação não revelada, como: ‘Ei, estamos numa situação muito precária'”, acrescentou o outro astronauta Suni Williams. “Acho que ambos sentimos que seria muito bom atracar naquela estação espacial que está mesmo à nossa frente.”