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Stephen Hawking alerta: a Humanidade pode autodestruir-se nos próximos 100 anos

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lwpkommunikacio / Flickr

O físico teórico Stephen Hawking - provavelmente, o maior do nosso tempo.

O físico teórico Stephen Hawking – provavelmente, o maior do nosso tempo.

O físico britânico Stephen Hawking afirmou que a Humanidade corre o risco de ter de enfrentar uma série de perigos criada por si mesma.

O cientista disse também que o progresso na ciência e na tecnologia criará “novas formas de as coisas darem errado“.

Nomeadamente, o físico referiu uma guerra nuclear, o aquecimento global e vírus criados pela engenharia genética como possíveis arautos da desgraça criados por nós mesmos.

Hawking foi o convidado deste ano para proferir as Reith Lectures da BBC – que desde 1948 convida personalidades para uma série de palestras transmitida na BBC Radio 4. Nas suas intervenções, que serão transmitidas nos dias 26 de janeiro e 2 de fevereiro, o físico explora a investigação sobre buracos negros. O alerta que fez, no entanto, veio como resposta a uma pergunta do público.

O físico prevê que a Humanidade enfrentará sérias dificuldades no futuro e que a sua sobrevivência dependerá, como já tinha afirmado antes, da sua capacidade de colonizar outros planetas.

“Apesar da possibilidade de um desastre na Terra num determinado ano ser bastante baixa, isto vai-se acumulando com o tempo, e transforma-se em quase uma certeza para os próximos mil ou dez mil anos“, disse Hawking.

“Até lá já deveremos ter-nos espalhado pelo espaço e para outras estrelas, e assim um desastre na Terra não significaria o fim da raça humana”.

Para Hawking, os  são os mais perigosos, já que nos tornamos cada vez mais avançados mas ainda sem um lugar seguro fora do nosso planeta. “Não vamos conseguir estabelecer colónias autossustentáveis no espaço nos próximos 100 anos, por isso temos que ser muito cuidadosos neste período“, alerta.

Ironia

Não é novidade que o cientista identifique o progresso científico como uma grande fonte de novas ameaças. Em alturas anteriores, Hawking destacou o risco potencial de a inteligência artificial se tornar uma séria ameaça para a raça humana.

No entanto, o físico insiste que a Humanidade sempre encontrará formas de lidar com problemas que surgirem.

“Não vamos parar de progredir, ou reverter o progresso, mas temos que reconhecer esse perigo e controlá-lo. Sou otimista e acredito que conseguiremos”.

Quando lhe perguntaram que conselho daria a jovens cientistas, Hawking afirmou ser importante manter uma postura de deslumbramento pelo “nosso vasto e complexo Universo”.

“Tem sido uma época gloriosa para estar vivo e a investigar na área da física teórica. Não há nada como aquele momento Eureka, da descoberta de algo que ninguém sabia antes”, afirmou.

Nasa/JPL-Caltech

Hawking acredita que conseguiremos estabelecer colénias no espaço, mas tal não deve ocorrer nos próximos séculos

O físico britânico disse ainda que as futuras gerações de investigadores devem ter consciência de quanto o progresso científico e tecnológico está a mudar o mundo e ajudar o público a perceber isto.

“É importante garantir que estas mudanças estejam a ir na direção certa. Numa sociedade democrática, isto significa que todos precisam de ter uma compreensão básica da Ciência para tomar decisões esclarecidas sobre o futuro”.

“Comunique claramente o que está a tentar fazer em termos científicos e, quem sabe, pode acabar por também o perceber de facto”, recomendou.

Determinação

Desde que foi diagnosticado com uma doença do neurónio motor, a determinação de Hawking para superar os desafios físicos do seu problema transformou-se em fonte de admiração no mundo todo.

A filha do cientista, Lucy, uma jornalista e escritora que, em conjunto com o físico, escreveu livros de ciência para crianças, explicou a motivação de seu pai.

“Ele é muito teimoso, com um desejo invejável de seguir em frente e capacidade de usar todas as suas reservas, toda a energia, toda a concentração mental e direcionar tudo isto para o objetivo de continuar”, disse.

“Não apenas continuar com o propósito da sobrevivência, mas transcender isto ao produzir um trabalho extraordinário, escrever livros, dar palestras, inspirar outras pessoas com doenças neurodegenerativas e outras deficiências e ao ser um homem de família, um amigo e um colega para tantas pessoas, mantendo amigos por todo o mundo”.

  ZAP // BBC

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