A localização, o contexto económico e as circunstâncias históricas permitiram que não fossem colonizados, mas estiveram durante algum tempo sob influência externa. A história da Etiópia e da Libéria tem várias peculiaridades.
A colonização chegou a toda a meia centena de países africanos, mais cedo ou mais tarde. Mas houve dois que escaparam, por motivos diferentes — a Etiópia e a Libéria.
Ainda assim, vários historiadores discordam, como aponta a ToughtCo, sobre esse conceito de colonização. Alguns argumentam que a influência ou breve ocupação de outros países nesses território é também considerada colonialismo.
De facto, por forma a conservarem a sua autonomia, estes países tiveram de ceder território, aceitar de forma submissa pactos económicos e ficar sob esferas de influência internacionais. Mas porque é que estes dois países escaparam ao domínio externo prolongado?
Etiópia: o “melting pot” africano resiste
No caso da Etiópia, a história é mais complexa: estamos a falar de um dos países mais antigos do mundo, de acordo com a enciclopédia Britannica. No princípio da sua história, chamava-se Abissínia.
Na verdade, muitos foram os países a tentar colonizar a Etiópia, mas o país tinha uma prosperidade económica surpreendente e à vontade de soberania da população. Foi assim que, em 1895, o país começou a lutar contra a invasão da Itália. A 1 de março de 1896, a Etiópia saiu-se vencedora da Batalha de Adwa, que lhe restituiu o poder.
Só que a derrota caiu mal, anos depois, ao fascista Benito Mussolini, que, ainda ressentido da vitória de uma nação africana sobre Itália, voltou a invadir o país em 1936 — o país foi fundido com a Eritreia e a Somália italiana para formar a África Oriental Italiana.
A sua independência só foi reconquistada 5 anos depois. Ainda assim, o período de ocupação está longe de se assemelhar à maioria dos países africanos, alguns colonizados durante vários séculos.
Curiosamente, no país falam-se cerca de 100 línguas, devido ao facto de o país ser um verdadeiro “melting pot” ( muito multicultural), com várias etnias a viver na Etiópia, um dos países mais populosos de África, com mais de 100 milhões de habitantes.
Libéria: fundada por colonizadores ex-colonizados
Um dos motivos pelos quais este país à beira-mar nunca foi colonizado é o facto de ser bastante recente: a sua criação remonta a 1821. O país foi fundado por americanos (sim, eles próprios recém-saídos de uma colonização britânica).
O objetivo era ter um lugar para onde “mandar” os negros ex-escravizados nos EUA, uma vez que não eram bem-vindos no país. O governo dos EUA acreditava que devia pagar para fazer regressar os negros libertados a África.
O território é apelidado de “Costa dos Cereais” (devido à existência no país da raríssima pimenta Melegueta) desde o tempo em que foi visitado pelos portugueses no período dos Descobrimentos.
A Libéria foi desde 1821 governada por norte-americanos (daí as reticências dos historiadores em não apelidar à ocupação de colonialismo), até se tornar um encargo para a Sociedade Americana de Colonização — foram os próprios EUA a abrir mão do território, em 1847.