Sinal rádio que intrigava astrónomos há 17 anos afinal era o micro-ondas

Daniel Sallai / Flickr

Observatório Parkes, da CSIRO, em New South Wales, na Austrália

Desde 1998 que os astrónomos que operam o telescópio do observatório Parkes, em New South Wales, na Austrália, captavam, duas ou três vezes por ano, um misterioso sinal de radio. A sua origem deu dores de cabeça aos cientistas durante quase 20 anos.

O estranho sinal, cuja origem os cientistas nunca conseguiam identificar, foi classificado como um peryton, e descrito como um “sinal transitório com duração de milissegundo de  origem terrestre”.

Os astrónomos acreditavam que os perytons estariam relacionados com certos tipos de actividade atmosférica, como os relâmpagos, e mantiveram esta teoria durante 17 anos.

“Perytons”   are   millisecond-duration   transients   of   terrestrial   origin,   whose frequency-swept  emission  mimics  the  dispersion  of  an  astrophysical  pulse  that  has propagated through tenuous cold plasm.

Mas no passado dia 1 de Janeiro, o observatório instalou um novo receptor para analisar a interferência, e a sua origem foi finalmente identificada.

O sinal radio que intriga os astrónomos há quase duas décadas é afinal…um micro-ondas.

O aparelho, instalado na cozinha do próprio observatório, emitia sinais de 2.4 GHz de frequência que eram captados pelo telescópio e identificadas como estando muito perto, “num raio de 5km” de distância.

“A interferência apenas ocorria quando os funcionários do observatório, ao aquecer a comida, abriam a porta do micro-ondas quando ainda não tinha acabado de aquecer“, explicou ao The Guardian o astrofísico Simon Johnston, director da CSIRO, a Agência Australiana da Ciência.

A descoberta foi publicada a 10 de abril, num paper com o título “Identificando a origem dos perytons do radio-telescópio Parkes“. Quinze cientistas assinam o estudo.

Interferência humana

Parece agora estranho que o sinal tenha levado 17 anos a ser identificado. É um facto que a imponderabilidade de apenas ocorrer em determinadas circunstâncias não ajudou a decifrar o seu padrão.

Mas o facto de apenas ocorrer durante o dia, normalmente à hora do almoço, talvez pudesse ter dado mais cedo algumas pistas aos cientistas que analisaram o mistério.

A interferência humana é desde sempre uma preocupação dos astrónomos – nomeadamente, a luminosidade crescente que as cidades lançam para os céus, ofuscando as estrelas.

Por essa razão, os observatórios astronómicos são normalmente instalados em montanhas em regiões despovoadas, onde o céu é mais límpido.

Mas não há isolamento que evite a interferência humana quando ela vem de dentro do próprio observatório.

AJB, ZAP

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