Seul preocupada com teste nuclear da Coreia do Norte, não desiste de manobras com EUA

UNC - CFC - USFK / Flickr

Kim Kwan-jin, ministro da Defesa da Coreia do Sul

Kim Kwan-jin, ministro da Defesa da Coreia do Sul

O ministro da Defesa da Coreia do Sul, Kim Kwan-jin, advertiu hoje que a Coreia do Norte está preparada para realizar um teste nuclear a qualquer momento, embora tenha descartado indícios de uma ação iminente.

Tanto o teste nuclear como um possível ensaio de mísseis “dependem da decisão dos dirigentes da Coreia do Norte”, disse o ministro numa sessão parlamentar, depois de sugerir que o regime de Kim Jong-un possui os materiais, instalações e técnicas necessárias para levar a cabo ambas as ações.

Kim Kwan-jin explicou que Pyongyang já realizou os preparativos para um teste nuclear subterrâneo na sua base de Punggye-ri, no nordeste do país, a mesma que acolheu há aproximadamente um ano o terceiro teste nuclear do regime.

Quanto a um futuro lançamento experimental de mísseis de longo alcance, o titular da Defesa sul-coreano advertiu que a Coreia do Norte completou as “medidas iniciais” para levar a cabo a ação.

Coreia do Sul e EUA mantêm manobras militares

Entretanto, Seul e Washington anunciaram esta segunda-feira que as duas maiores manobras militares conjuntas anuais começam no próximo dia 24, o que poderá colocar em perigo a realização do encontro de famílias separadas entre as duas Coreias, programado para esses dias.

Os exercícios militares Key Resolve vão terminar em 6 de março e os Foal Eagle começam no mesmo dia, estendendo-se por quase dois meses até 18 de abril, informou o Comando das Forças Conjuntas (CFC) da Coreia do Sul e dos Estados Unidos em comunicado.

As manobras são executadas em território da Coreia do Sul (em terra, mar e ar) e estarão orientadas para coordenar a defesa dos aliados perante um hipotético conflito com a vizinha Coreia do Norte.

As Forças Conjuntas asseguraram ter informado à Coreia do Norte que os exercícios militares são de caráter defensivo e “não provocador”, depois de Pyongyang ter exigido nas últimas semanas o cancelamento das manobras, que considera um teste de agressão.

Coreia vs Coreia

A relação entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul nunca foram pacíficas – apesar da divisão do território ter resultado de um consenso internacional, cada Coreia considera-se a única nação legítima, não reconhecendo a outra como Estado.

Com problemas recorrentes nas fronteiras, os dois países trocam ameaças constantes – que, apesar de serem denunciadas por ambas as partes, são particularmente agravadas pelo grande investimento da Coreia do Norte em armamento nuclear e pela ostensiva militarização do país.

Os Estados Unidos têm 28.500 militares na Coreia do Sul e comprometeram-se a defender o seu aliado desde a Guerra da Coreia (1950-1953), que terminou com um armistício que nunca foi substituído por um tratado de paz definitivo.

No final de janeiro, a Coreia do Norte pediu o fim das hostilidades com a Coreia do Sul, mas estes consideraram tratar-se de uma agenda oculta. Essa carta aberta surgiu algumas semanas antes da realização dos exercícios militares conjuntos da Coreia do Sul com os Estados Unidos.

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Teme-se agora que o regime de Kim Jong-Un reaja com duras críticas ao anúncio das manobras e que cancele o próximo encontro de famílias separadas das duas Coreias, programado para o período de 20 a 25 deste mês.

ZAP / Lusa

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