Sente-se pressionado a fazer escolhas alimentares saudáveis na presença de terceiros? Bem, não é o único

NCI / NIH

Cientistas provaram que a opinião que os outros podem ter, baseada nas escolhas alimentares de um indivíduo, é suficiente para que este se sinta constrangido a escolher alimentos mais saudáveis.

Sente-se mais pressionado a fazer escolhas alimentares saudáveis quando está na presença de terceiros? Bem, não é o único, tanto que esse comportamento já mereceu a atenção de cientistas. Num novo estudo, que explorou as escolhas alimentares dos indivíduos, a equipa responsável explica que isto ocorre porque os indivíduos antecipam um julgamento mais negativo por parte das outras pessoas.

A investigação, que contou com a participação de cerca de mil indivíduos no total, mostra que as pessoas tendem a fazer escolhas em linha com os grupos sociais em que se inserem, nomeadamente em termos raça, frequência do ensino superior e até filiação laboral.

Experiências realizadas no decorrer do estudo com várias centenas de adultos numa grande cidade e universidade dos Estados Unidos revelaram que os participantes eram mais propensos a escolher um lanche saudável na presença de um observador de uma raça diferente (em oposição à mesma raça) ou um estudante de uma universidade diferente (em oposição à sua própria universidade). Isto porque anteciparam um julgamento mais negativo por parte de um grupo externo, pelo que tentaram mitigar estes julgamentos fazendo escolhas alimentares mais saudáveis.

Quatro experiências distintas apoiaram a conclusão dos autores de que a presença de um estranho de um grupo social diferente tem impacto na escolha alimentar dos participantes. Na primeira, foi oferecida a 180 estudantes a escolha entre M&Ms e passas saudáveis como lanche. Na presença de um colega desconhecido da própria universidade, apenas 12% dos estudantes selecionaram as passas de uva mais saudáveis. No entanto, o número mais do que duplicou para 31% na presença de um estudante desconhecido de outra universidade.

As outras experiências mostraram que a justificação para este padrão é que as pessoas se sentem julgadas em maior medida por membros que não pertencem ao grupo e usam estrategicamente escolhas alimentares saudáveis para causar uma impressão positiva para contrariar este julgamento negativo.

Por exemplo, 200 consumidores foram informados de que outros à sua volta tinham uma postura mais julgadora ou tolerante. No ambiente de julgamento, os consumidores eram mais propensos a escolher cenouras em vez de biscoitos do que no ambiente tolerante, o que indica que o julgamento esperado dos outros explica as conclusões.

Janina Steinmetz, professora de Marketing na Bayes Business School, explicou que as descobertas têm implicações práticas para os comerciantes de alimentos saudáveis e os decisores políticos que esperam promover uma alimentação saudável.

“Sabemos que os alimentos desempenham um papel importante na vida social e os consumidores frequentemente tiram conclusões sobre os traços e características dos outros com base nas suas escolhas alimentares.

“A nossa investigação mostra que podemos utilizar este importante papel dos alimentos para o bem-estar dos consumidores se salientarmos que os alimentos saudáveis não só são bons para os consumidores, como também os ajudam a impressionar os outros”, apontou a investigadora.”

  ZAP //

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