Risco de Ébola em Portugal sobe se epidemia chegar à Guiné-Bissau

EU Humanitarian Aid and Civil Protection / Flickr

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O director-geral de Saúde, Francisco George, reiterou esta quarta-feira que o risco de Ébola em Portugal “é baixo”, mas admitiu que, “se a epidemia invadir a Guiné-Bissau, o risco eleva-se”.

Francisco George, que falava durante uma audição na Comissão Parlamentar de Saúde Pública, disse ainda aos deputados que as autoridades têm de estar unidas neste processo e que, se o plano montado pela Direcção Geral de Saúde não tiver o apoio do Governo ou da AR, “mudam-se os responsáveis da DGS“.

“Não é aceitável uma disputa de correntes entre maioria e oposição porque temos que estar juntos neste processo“, acrescentou.

Sobre a mobilização de meios, Francisco George revelou ter havido “uma reunião de topo na qual foi decidido que a protecção civil não deve ser mobilizada para um risco que, admitimos, é baixo em termos de probabilidade de entrarem doentes da Serra Leoa, Libéria e Guiné Conacri”.

Se a epidemia invadir a Guiné-Bissau, o risco eleva-se“, admitiu Francisco George, explicando que “há nove portugueses nestes três países, todos identificados e em comunicação com os serviços consulares”.

Segundo Francisco Georgea, a DGS tem preparadas três bases de ambulância em Lisboa, Porto e Coimbra, com 12 tripulantes equipados e de prontidão.

Rodrigo Gatinho / portugal.gov

O director-geral da Saúde, Francisco George

O director-geral da Saúde, Francisco George

Sobre o cenário que se vive em África, o director-geral da Saúde defendeu que seriam necessárias hoje naquele continente 3.500 camas para combater a doença.

“Não podemos comparar esta realidade com os países industrializados. Temos 40 mil médicos, 50 mil enfermeiros, 120 mil funcionários do Ministério da Saúde. Não temos comparação nenhuma com esses países. Temos risco se a Guiné-Bissau vier a ter problemas devido às ligações estreitas existentes”, afirmou.

A propósito do alerta deixado num parecer do colégio da especialidade de saúde pública da Ordem dos Médicos, Francisco George afirmou: “Nenhum país lusófono tem cadeias abertas de transmissão. Se isso acontecer, muda o nível de alerta e a informação”.

Quanto às medidas que vão ser tomadas nos aeroportos e outros pontos de entrada no país, “vai ser feito o que foi feito por Paris e Bruxelas. Serão medidas simplificadas e consensuais desde que países membros estejam de acordo. Não todos, porque Inglaterra vai adoptar outro tipo de medidas devido às ligações que tem à Serra Leoa e, por via dos EUA, à Libéria”.

/Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Acredito que estamos a viver uma incerteza, mas por vezes parece que as situações são tratadas de uma forma leviana. Ora se nos aeroportos o controle é feito “facilmente”!!! pelos pontos de ligação, obviamente não podemos ignorar as ligações indirectas que são executadas. Tenhamos em consideração a via marítima em que os navios escalam os portos de contágio ” San Pedro – Costa do Marfim” ou por exemplo CONAKRY e vêem para Lisboa como segunda escala com um período de incubação inferior a 21 dias, que medidas ou garantias podemos ter???”!!!!! como tal não chega monitorizar os portugueses residentes nesses países.
    um bem haja.

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