Recorde de divórcios (também) no Brasil: “É muito tempo junto”

Mais de 77 mil separações de casais, só em 2021. Psicóloga portuguesa apresenta motivos para o aumento geral do número de divórcios.

O Brasil também foi afectado pelo coronavírus – e de que maneira – e a pandemia trouxe um aumento do número de divórcios – e de que maneira. Os dados oficiais confirmam essa subida, já esperada.

Nesta quinta-feira os dados do Colégio Notarial do Brasil indicaram que, só em 2021, foram registados 77.112 divórcios consensuais no país sul-americano. Um recorde, desde que começou esta contabilidade oficial no Brasil. Já em 2020 o número de divórcios tinha ficado perto: 76.846 divórcios oficiais. 75 mil foi o número do último ano pré-coronavírus (2019).

Os períodos longos de confinamento, o convívio frequente em casa que nunca se tinha verificado, o isolamento do resto da vida social são factores essenciais para estes aumentos.

Além disso, há uma explicação burocrática no Brasil, desde Junho do ano passado: agora todas as escrituras em cartórios notariais não obrigam à presença dos interessados no local, passou a poder ser feita de forma remota.

Em Portugal, os resultados dos Censos 2021 mostraram que também por cá o número de divórcios aumentou muito (embora aqui a comparação seja com 2011): oito por cento dos residentes em Portugal estão divorciados – eram seis por cento há 11 anos.

“Várias famílias passaram mais tempo juntas. Houve coisas boas: famílias que se tornaram mais unidas, que recordaram facetas de que já nem se lembravam. Noutros casos os conflitos aumentaram muito, tanto tempo junto fez com que se descobrissem aspectos que não estavam tão facilitados”, explicou Bárbara Ramos Dias, na RTP.

A psicóloga acrescentou que “a falta de comunicação, ou o tempo que tivemos para nós próprios, fizeram-nos pensar: é mesmo isto que quero? Às vezes andamos em piloto-automático e não conseguimos perceber como é o nosso dia-a-dia”.

“O tempo fez com que as pessoas criassem novos objectivos, novas metas. Houve um repensar das situações, um repensar de toda a vida. Surgiram estas perguntas: se eu morrer amanhã, é isto que quero para a minha vida, para os meus filhos? O que me faz feliz? Pessoas procuraram meditação, desporto… E a outra pessoa da relação não acompanha essa mudança e aí dá-se o choque“, analisou Bárbara.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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