Já sabemos que neurónios morrem na doença de Parkinson

Cientistas do Broad Institute, nos Estados Unidos, descobriram o tipo específico de neurónios que são destruídos na doença de Parkinson. A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novas terapias celulares e medicamentosas.

Investigações anteriores descobriram que os sintomas mais característicos dos pacientes com Parkinson resultam da perda de neurónios que produzem o neurotransmissor dopamina, um mensageiro químico que regula o humor e os movimentos do corpo.

Esta perda de neurónios foi localizada numa pequena região do cérebro chamada substantia nigra.

A mais recente investigação descobriu que existem dez tipos diferentes de neurónios produtores de dopamina nesta região do cérebro.

No Parkinson, perdem-se sobretudo neurónios que, quando saudáveis, têm o gene AGTR1 ativo.

A equipa isolou e analisou milhares de neurónios individuais dos cérebros de pessoas que tinham morrido de Parkinson ou demência com corpos de Lewy, uma forma menos conhecida de demência que pode ocorrer sozinha ou em conjunto com outras doenças cerebrais.

Segundo o Science Alert, os cientistas examinaram cerca de 22.000 células cerebrais isoladas de amostras de tecido cerebral humano de 10 indivíduos que morreram devido à doença de Parkinson ou demência com corpos de Lewy, e oito pessoas não afetadas por nenhuma das duas doenças.

Depois de medir os níveis de atividade genética das células, a equipa identificou 10 subtipos distintos de neurónios produtores de dopamina na substantia nigra, cada um distinguível pelo seu perfil de atividade genética.

Um deles era claramente ausente nos cérebros das pessoas com Parkinson.

“Compreender o tipo celular específico afetado pelo Parkinson é importante porque define a célula alvo da intervenção terapêutica“, explica Ernest Arenas, um neurocientista do Instituto Karolinska em Estocolmo, na Suécia, e autor de um artigo na Nature Neuroscience que avalia a descoberta do Instituto Broad Institute.

A equipa também demonstrou que as alterações genéticas que predispõem o Parkinson afetam o funcionamento destes mesmos neurónios. Esta observação indica que o mau funcionamento destes neurónios influencia a progressão da doença.

O artigo científico com as descobertas foi publicado, este mês, na Nature Neuroscience.

A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva caracterizada por movimentos incontroláveis, como tremores, dificuldades de fala e problemas de equilíbrio que se agravam com o tempo. É causada por danos nas células nervosas que produzem dopamina.

  ZAP //

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