Já se sabe quem foram os quatro espiões que roubaram os segredos da bomba atómica

Wikimedia

Nuvem sobre Hiroshima, logo após o lançamento da bomba atómica em 1945

Três dos quatro espiões que roubaram os segredos atómicos dos Estados Unidos entre 1940 e 1948, partilhando essas informações com os soviéticos, já eram conhecidos. Mas faltava revelar a identidade do quarto membro do grupo. 

Agora, já se sabe quem foram os quatro espiões, cujas ações aceleraram o desenvolvimento de armas nucleares da URSS e prepararam o terreno para a Guerra Fria.

A identidade do quarto espião, com o nome de código “Godsend”, foi ocultada da opinião pública até recentemente. O seu verdadeiro nome era Oscar Seborer e trabalhou no Laboratório Nacional Los Alamos, no Novo México, lar do Projeto Manhattan, onde as primeiras armas nucleares foram projetadas.



Durante décadas, o nome de Seborer permaneceu em relativa obscuridade, sendo mencionado em algumas dezenas de páginas no meio das dezenas de milhares de documentos secretos compilados pelo FBI.

Porém, quando os documentos foram desclassificados em 2011, chamaram a atenção de dois historiadores, John Earl Haynes e Harvey Klehr. Assim, 70 anos depois de Seborer trair o seu próprio país, a sua história está finalmente a ser contada, de acordo com o jornal norte-americano New York Times.

Mas, antes desta descoberta, os três espiões conhecidos por levar os segredos atómicos aos soviéticos eram David Greenglass, Klaus Fuchs e Theodore Hall. Foi proposta a existência de um quarto espião no início dos anos 90 com base em pistas nas memórias dos oficiais da KGB, mas as pistas foram consideradas em 1995 como parte de uma campanha de desinformação russa para proteger outro agente ativo.

De acordo com os investigadores, que publicaram o seu estudo em outubro na revista científica Studies in Intelligence, Seborer será o quarto espião, com base nos documentos desclassificados do FBI de 2011, bem como nos registos parciais de uma iniciativa com décadas chamada Operação SOLO. A operação, que decorreu de 1952 a 1980, centrou-se em dois irmãos no Partido Comunista dos EUA que eram informantes do FBI.

Até ao momento, apenas os arquivos SOLO até 1956 foram divulgados, por isso permanecem em aberto muitas questões sobre as atividades de Seborer como espião e o que lhe aconteceu depois de desertar para a URSS.

O que se sabe, conta o LiveScience, é que Seborer treinou como engenheiro e matriculou-se no Exército dos Estados Unidos em 1942, sendo transferido para Los Alamos em 1944 e designado para o Projeto Manhattan durante dois anos.

Depois da guerra, trabalhou como engenheiro elétrico na Marinha dos Estados Unidos, mas começaram a surgir sinais de que nem tudo estava bem. Os seus superiores repetidamente relataram Seborer como um “risco à segurança”, o que terá surgido das suas associações a comunistas conhecidos – e não de suspeitas de espionagem.

No início da década de 1950, o fervor anticomunista nos Estados Unidos estava a atingir um novo pico e Seborer fugiu secretamente do país em 1952 com o seu irmão, cunhada e sogra. Estabeleceu-se em Moscovo, na Rússia, onde morreu em 2015.

Conversas nos arquivos SOLO sugerem que Seborer poderia estar a tramar algo quando estava em Los Alamos. “Oscar estava no Novo México –  entende o que quero dizer”, disse Isidore Needleman, membro do Partido Comunista e advogado, a um dos informantes. “Não vou desenhar um diagrama”, acrescentou.

Needleman passou a sugerir mais abertamente que Seborer era um espião, chegando a escrever uma nota ao informante que dizia: “Ele [Seborer] entregou-lhes [os soviéticos] a fórmula para a bomba ‘A'”.

Para os investigadores, no entanto, as menções a Seborer eram escassas e “facilmente esquecidas” na vasta montanha de arquivos.

Os autores do estudo ainda estão a tentar perceber que segredos atómicos específicos Seborer terá partilhado e se os membros da sua família tiveram ou não um papel direto na espionagem. Assim, por agora, o significado das contribuições de Seborer à inteligência soviética permanece desconhecido.

ZAP ZAP //

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8 COMENTÁRIOS

      • Tudo tipo ” NASA” e antes disso tudo que os britânicos tinham em troca de ajuda a sobreviver a guerra. A verdade é lixada quando bate de frente. Quem lutou mais e sacrificou mais foi os russos, já os americanos deram uma mãozinha em troca dos segredos científicos britânicos e rotas comerciais dos mesmos. A única coisa que tiveram que suar foi com os japoneses.

        • A NASA não resultou de um “roubo” aos Nazis, só alguém muito desonesto pode colocar as coisas nesses termos. A Alemanha foi derrotada, e se os EUA aproveitaram a imigração de cientistas Alemães, em vez de os julgar por crimes de guerra, não vejo nada de errado nisso, e nem isso constitui um roubo. E se os Britânicos partilharam o que sabiam com os EUA, mesmo assim ficaram a ganhar, a alternativa era serem aniquilados pelos Nazis! Não vejo onde está o “roubo”… Não, quem lutou mais não foram os russos. Eram era um exército ridiculamente mal equipado, e como resultado morreram aos milhões. A sua última frase é absurda e denota fraco conhecimento de história. Morreram muitíssimo mais Americanos na Europa que no Pacífico. Mas tudo isto é irrelevante e não tem nada a ver com o artigo em questão, que fala da bomba atómica, algo que os EUA seguramente não roubaram a ninguém. Sim, a verdade é lixada quando bate de frente. Veja se aprende alguma coisa.

          • Caro É assim, no final da 2ª GM, a fissão atómica estava em estudo nos EUA mas também na Alemanha tendo os aliados feito uma acção de sabotagem do transporte marítimo de água pesada, da Noruega para a Alemhanha, já depois de terem bombardeado a fábrica de “Norsk Hydro”.
            Devido a essas acções mas também ao facto de estarem a usar água pesada em vez de grafite, o seu programa não teve sucesso, felizmente dir-se-á.

    • É verdade e até hoje não se entende muito bem porque Hitler não utilizou os conhecimentos que tinham sobre o fabrico da produção de bombas atómicas, conhecimento esse que foi enviado ao Japão através de um U-Boot.

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