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De cravos erguidos, americanos protestaram em Lisboa contra Trump

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TIAGO PETINGA/LUSA

“Do que a América precisa, Portugal sabe”. Manifestações “Hands Off” nos 50 estados dos EUA e em vários países este fim de semana. “Aguentem firmes”, diz Trump sobre as tarifas que puseram a bolsa de Lisboa em níveis de pandemia.

Algumas centenas de americanos manifestaram-se este sábado, em Lisboa, contra a administração Trump, numa iniciativa organizada por ativistas que vivem em Portugal, com inúmeras referências à revolução dos cravos e à liberdade de expressão.

Segundo a organização, a manifestação reuniu cerca de 700 pessoas, que empunharam cartazes, alguns com cravos, alusivos à revolução e à liberdade de expressão, com recados para os norte-americanos: “Do que a América precisa, Portugal sabe”.

Caryl Hallberg, 73 anos, filiada no Partido Democrata, escolheu Portugal para viver, depois de quatro anos a viajar por vários países da Europa.

“É um sítio especial. Durante um jantar, uns amigos contaram-me a história da Revolução dos Cravos e pensei ‘é aqui que quero viver’”, contou à agência Lusa uma das organizadoras da manifestação.

Afastada do partido, Caryl esteve sempre ligada ao ativismo e filiou-se para apoiar a candidatura do ex-Presidente Barack Obama à Casa Branca. Acredita que também é possível combater a política de Donald Trump fora do país, juntamente com os americanos que se sentem indignados com a atual deriva norte-americana.

“Sabemos o que é o fascismo e é o que está a acontecer”, afirmou, ao manifestar receios sobre cortes na reforma, que disse já terem afetado alguns americanos a residir em Portugal. Na opinião de Caryl, Trump está também a “destruir o comércio”, com a aplicação das tarifas, e a provocar uma desvalorização do dólar, que nota de cada vez que vai trocar dólares por euros.

“[Trump] Está a tentar tirar direitos a vários níveis”, acrescentou.

“Seguimos o exemplo português”

TIAGO PETINGA/LUSA

Sob o mote “Hands Off”, vários cartazes foram exibidos para instar a administração do Presidente norte-americano a “tirar as mãos” da Constituição e dos direitos civis americanos. “A lista é tão longa!”, disse a ativista. Caryl garantiu que os americanos vão continuar a manifestar-se pacificamente: “Seguimos o exemplo português”.

Jaiy Conboy, 72 anos, participou na manifestação com uma guitarra e uma música que criou para a ocasião – “I Will not be Silent” (não ficarei calado).

“Sinto-me ultrajado pelo que [Trump] está a fazer à economia do mundo, por fazer amizade com inimigos como Putin, pela forma como está a ignorar a Constituição”, disse o académico, que trabalhou “quase toda a vida” com universidades portuguesas e é casado com uma portuguesa.

“Está a causar tanto caos! E o caos é o objetivo dele. É tudo sobre poder”, indignou-se.

Musk “fascista”

Sentada ao fundo da estátua de D. José I, na Praça do Comércio, Jail Kent, 73 anos, segurava um cartaz com uma fotografia do empresário Elon Musk, outro dos visados na manifestação, em que se lia: “O meu pai combateu os nazis na Europa, há 80 anos”.

“Na II Guerra Mundial, o meu pai e os meus tios combateram a Alemanha. Eram republicanos, mas não acredito que apoiassem este homem”, disse. “Estas pessoas são fascistas. É horrível, estão a tirar os nossos direitos”, afirmou a norte-americana da Virginia, ex-jornalista, que vive em Alcobaça.

“Aguentem firmes”, diz Trump

Nos EUA, também há manifestações marcadas para o fim-de-semana para em todos os 50 estados, mas também Canadá, Reino Unido, França, Alemanha e México, pelo menos.

“Isto é uma revolução económica e nós vamos ganhar. Aguentem firmes, porque não vai ser fácil, mas o resultado final será histórico“, disse  Trump na sua rede social, Truth Social.

As tarifas mínimas de 10% que abrangem 184 países entraram esta madrugada em vigor. Muitos países, como Espanha e China, apressaram-se a responder com a mesma moeda.

Os mercados norte-americanos e europeus continuam a cair devido às tarifas. As bolsas de Nova Iorque caíram quase 6%, com perdas bilionárias. A bolsa de Lisboa caiu quase 5% — a pior recessão desde a pandemia da covid-19.

ZAP // Lusa

1 Comment

  1. Não sei qual foi a história que contaram à dr.ª Caryl Hallberg, mas os cravos em Portugal só florescem no final de Maio e início de Junho, no dia do golpe de Estado da OTAN a 25 Abril de 1974 os cravos que foram distribuídos – e aqui a dr.ª Celeste Caeiro teve um papel importante – tinham chegado a Portugal no dia 24 de Abril e foram distribuídos por viaturas da OTAN pelas unidades afectas ao golpe.

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