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Os programas de humor da noite estão em declínio. Qual é a solução?

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People Magazine

Jimmy Fallon, apresentador do programa “The Tonight Show”

As audiências estão em quebra e os jovens já não se identificam com os temas e convidados escolhidos pelos apresentadores.

No final de Abril, após James Corden anunciar que ia sair do “The Late Late Show” na próxima Primavera, houve uma especulação imediata sobre a sua substituição. Outros, no entanto, tiveram uma resposta diferente às mudanças recentes no programa de fim de noite: Quem quer saber?

As audiências são baixas, apontam. Os programas não ultrapassam a sua obsessão com Trump. Representam uma era da televisão que foi ultrapassada.

Mas os programas de televisão ao final da noite ainda podem importante. Ao contrário do que muitos pensam, os programas não “morreram” e podem voltar. Mas se não quer ficar à margem da cultura como o baseball, precisa de fazer o que o passatempo nacional não fez: adaptar-se e evoluir.

Perguntar ao público-alvo

Durante nove anos, Jon Rineman escreveu para dois programas de final de noite: o “Late Night” e o “The Tonight Show”, ambos apresentados por Jimmy Fallon. Viu em primeira mão um programa novato que passava às 0h30 transformar-se num programa de muito sucesso que passou para o cobiçado horário das 23h30 e também estava presente no início do seu declínio.

Quando começou a dar aulas sobre como escrever para os programas da noite na Emerson College em 2019, os programas continuavam formidáveis e todos os estudantes viam pelo menos um.

Em 2021, já só metade via, com a maioria a preferir o “The Eric Andre Show” no Adult Swim e “Conan” na TBS — este último acabou em Junho de 2021. Este ano, apenas cerca de 30% dos estudantes se consideravam espectadores “regulares” destes programas

Então, decidiu perguntar aos estudantes, que fazem parte do público-chave dos programas da noite entre 18 e 34 anos — Como é que mudariam os programas?

Outra roupagem para o ciclo noticioso

Alguns temas surgiram. Como um estudante observou, há tanto comentário a histórias que já foram notícia que parece que se está a ver mais notícias. Daqui surgiu a questão seguinte: Qual a necessidade de se cobrir intensivamente as notícias?

Uma sugestão de vários estudantes foi mudar o foco para problemas mais específicos e com os quais as pessoas se identificam, como no estilo de Joan Rivers ou Craig Ferguson — dois exemplos de personalidades que evitaram os tópicos rápidos em favor de temas que afetam as pessoas no dia-a-dia.

Qual é o verdadeiro valor de entretenimento de seis piadas sobre o limite da dívida? E se, em vez de notícias deprimentes sobre os preços dos combustíveis, a economia ou a covid-19, o foco passasse a ser em temas como o teletrabalho, o regresso às salas de cinema ou a subscrição de um serviço de streaming caro?

O ex-Presidente Donald Trump também é um tema reocrrente. Mas quando a mesma piada sobre Trump é repetida por cinco apresentadores — algo que aconteceu mesmo em Março de 2018 — a fórmula não é sustentável.

Uma separação geracional

Os estudantes também consideraram os programas paternalistas, com os apresentadores a fazer suposições erradas sobre a sua geração. Nem todos adoram a banda coreana BTS ou querem ouvir celebridades a falar sobre as suas vidas luxuosas. E não estão todos entusiasmados com os NFTs.

Em Janeiro de 2022, duas aulas começaram com uma versão da mesma pergunta: “Qual é a cena com o seu antigo patrão e esta coisa dos macacos?”

Estavam a referir-se a um segmento onde Jimmy Fallon entrevistou Paris Hilton e os dois compararam os seus NFTs. O professor considerou o clip inócuo, mas já não faz parte do público-alvo.

Na aula, o vídeo foi descrevido como “elitista” — duas pessoas ricas a compararem as suas compras caras de cartoons digitais quando os aspirantes a escritores mal conseguem pagar por um computador. Alguns estudantes disseram sentir-se alienados desta “cultura das celebridades”.

Sobre os apresentadores…

A sugestão mais comum dos estudantes é que os programas precisam de mais diversidade. Um nome que foi sugerido múltiplas vezes foi Lilly Singh, uma YouTuber popular com 14.7 milhões de subscritores.

Em 2019, Singh foi anunciada como a apresentador de um programa da NBC depois de Fallon e Seth Meyers — uma decisão que foi vista como necessária para a diversificação do padrão de “homem hetero num fato” dos programas da noite.

Singh é bissexual, indio-canadiana — e, mais importantemente, engraçada. O professor viu Singh como a próxima apresentadora do “The Tonight Show”. Mas algo correu mal. Houve notícias de novos produtores, novas abordagens e, finalmente, um cancelamento.

De quem vê de fora, parecia que quem podia promover Singh na televisão contava que fosse a apresentadora a promover o programa no YouTube, Instagram e TikTok. Mas se alguém já está a ver alguém no YouTube, Instagram e TikTok, porque é que gravariam um programa à 1h30?

Vários estudantes falaram positivamente do programa de Singh e apreciaram que apelava a uma audiência acostumada a vídeos virais enquanto modernizava as normas dos programas do final da noite. É possível que os responsáveis pelos programas não entenderam Lilly Singh?

Não seria a primeira vez que um jovem apresentador passou por algumas dores de crescimento. Em 1993, Conan O’Brien foi detonado pelos críticos no início da sua substituição a David Letterman no “Late Night”. Até O’Brien admitiu que precisou de cerca de três anos até que o seu programa chegasse ao ponto. Por comparação, Singh só teve dois.

E com isso, os espectadores foram deixados com um menu de cinco — prestes a ser quatro — homens brancos em fatos: Corden, Fallon, Meyers, Stephen Colbert e Jimmy Kimmel.

O comediante conservador Greg Gutfeld está a dominar as audiências, não só por ter atraído as audiências da Fox News, mas também pelos erros sistemáticos dos outros canais.

Engraçado ou não, Gutfeld conhece a sua audiência e quer ganhar. Ele importa-se. No entanto, o coro mantém-se como uma versão de “ele é só um conservador de Manhattan que está fora do seu elemento e o seu brilho vai eventualmente desgastar-se”.

Interessante. Da última vez que os especialistas foram tão arrogantemente desdenhosos, um apresentador de televisão riu-se no caminho até à Casa Branca.

  ZAP // The Conversation

2 Comments

  1. lily singh é engraçada? só na cabeça de quem escreve estas historia
    quem viu os late night acaba por perceber à primeira porque ninguem quer saber, não tem interesse nenhum
    lili singh, colbert, jimy fallon e john oliver tem o carisma e a graça duma pedra kkkk
    a culpa é sempre dos outros

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