Problemas de saúde em mulheres podem persistir anos após a agressão sexual

Segundo um estudo recente, os problemas de saúde consequentes do assédio ou da agressão sexual podem persistir durante vários anos nas mulheres.

Pressão alta, ansiedade, distúrbios do sono ou sintomas de depressão. Depois de realizar vários exames médicos a cerca de 300 mulheres, uma equipa de cientistas concluiu que estes sintomas, derivados do assédio ou agressão sexual, podem persistir durante vários anos. O estudo foi publicado recentemente no JAMA Internal Medicine.

“Há uma correlação clara entre a experiência de assédio ou agressão sexual por uma mulher e os efeitos adversos na sua vida, sejam eles físicas ou mentais”, disse Maureen Sayres Van Niel, psiquiatra em Cambridge, e presidente da Caucus Feminina da Associação Americana de Psiquiatria, que não esteve envolvida com o estudo.

Em suma, a psiquiatra conclui que “não há dúvidas de que a eliminação da violência sexual melhorará a saúde mental das mulheres“.

Os investigadores sabem há anos que existe uma ligação entre o assédio sexual e os problemas de saúde consequentes. No entanto, grande parte das pesquisas anteriores teve por base sintomas auto-relatados, o que significa que as mulheres podem estar a experienciar problemas de saúde sem conhecimento de que, de facto, os têm.

Desta forma, a equipa decidiu avaliar o estado de saúde de cada mulher individualmente. Foram analisadas 304 mulheres de Pittsburgh, com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos. Nenhuma das participantes fumava – uma característica importante a ter em conta dado que o tabagismo aumenta o risco de doença cardiovascular.

Segundo o estudo, 19% das mulheres sofreram assédio sexual no trabalho e 67 delas (ou seja, 22%) relataram ter sofrido agressão sexual. Trinta participantes confessaram ter sofrido ambas (10%).

As mulheres que sofreram violência sexual apresentaram uma probabilidade quase três vezes maior de ter sintomas de depressão, e duas vezes mais probabilidades de sofrerem de ansiedade e problemas no sono, em relação às mulheres que não relataram ter sofrido qualquer tipo de agressão.

Por sua vez, as mulheres que disseram ter sido assediadas no local de trabalho apresentaram mais do dobro da probabilidade de terem a pressão arterial elevada, assim como um aumento de 89% nas probabilidade de terem um sono de má qualidade, comparativamente com as mulheres que não sofreram qualquer tipo de assédio.

Além disso, os investigadores descobriram ainda que a maioria das mulheres que relataram ter sofrido de assédio sexual no local de trabalho tinham frequentado a universidade. A relação não está completamente clara, mas os investigadores acham que isso acontece porque essas mulheres altamente instruídas trabalham em campos dominados por homens. Além disso, podem ter mais conhecimento sobre o que constitui o assédio sexual.

No entanto, os investigadores não podem assegurar com certeza que a agressão ou o assédio sexual causam problemas de saúde. Acresce ainda o facto de o estudo ter tido uma amostra relativamente pequena.

Ainda assim, os resultados são um passo importante no estudo sobre a saúde das mulheres, disse uma Van Niel, que considera que este estudo recente contribui para a ideia de que eventos stressantes, como o assédio e a agressão sexual, podem explicar por que motivo as mulheres tendem a ter o dobro da prevalência de ansiedade e depressão em relação ao sexo masculino.

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