Chegaram os “comboios do futuro” (e são movidos a hidrogénio)

David Hecker / EPA

Os primeiros comboios do mundo movidos a hidrogénio – considerado os “comboios do futuro” – começaram esta segunda-feira a circular na Alemanha. A novidade pretende ser uma alternativa mais ecológica.

As duas novas composições iniciaram os percursos entre Cuxhaven, Bremerhaven, Bremervörde e Buxtehude, uma linha de 100 quilómetros da região da Baixa Saxónia por onde circulam comboios a diesel.

“O primeiro comboio que funciona com hidrogénio no mundo entra em serviço comercial e está pronto para a produção em série“, afirmou o presidente da Alstom, Henri Poupart Lafarge, durante a cerimónia inaugural no domingo em Bremervörde, onde se encontra a estação responsável por reabastecer estes comboios.

O executivo celebrou uma “inovação que surge de um trabalho de uma equipa franco-alemã, o que demonstra uma frutífera colaboração transfronteiriça”, agora que o grupo será absorvido pela alemã Siemens.

A Alstom já comunicou que tem nos planos construir mais 14 comboios de zero-emissões para o estado da Baixa Saxónia até 2021.

Os comboios de hidrogénio são equipados com células de combustível que produzem eletricidade por meio de uma combinação de hidrogénio e oxigénio, um processo que faz com que vapor e água sejam as únicas emissões.

O hidrogénio é obtido numa central especial com um processo de eletrólise ao aplicar eletricidade à água, o que separa hidrogénio e oxigénio. A energia da frenagem é armazenada em baterias de ião-lítio para ser reutilizada na aceleração.

Os comboios com “zero emissões” fazem pouco barulho e despejam apenas vapor de água. O comboio de hidrogénio tem, segundo a Alstom, autonomia de 1.000 km com um tanque, similar a um comboio a diesel. A tecnologia é apresentada como uma alternativa promissora, relativamente barata, ao diesel para as linhas não eletrificadas.

O CEO da Alstom, Henri Poupart Lafarge, durante a cerimónia inaugural

“Claro, comprar um comboio de hidrogénio é um pouco mais caro que um comboio a diesel, mas a operação é mais barata”, afirmou Stefan Schrank, diretor do projeto na Alstom. A construtora francesa também é responsável por criar TGV’s.

Outros países demonstraram interesse, incluindo Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Noruega, Itália, Canadá e França. Este último país já expressou vontade de ter o primeiro comboio a hidrogénio a circular no território em 2022.

ZAP // Lusa

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28 COMENTÁRIOS

    • Frenagem é a utilização do sistema de travões. É normal, por exemplo nos veículos hibridos, utilizar a energia produzida durante as travagens para carregar as baterias auxiliares.

    • Ó homem… e que tal uma pesquisa antes de demonstrar a sua ignorância aqui perante o mundo?!!!

      fre·na·gem
      (frenar + -agem)
      substantivo feminino
      1. .Ato ou efeito de frenar.
      2. Travagem de um veículo.

      “frenagem”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013,

  1. Não me parece de todo uma solução a longo prazo. Na minha opinião, a electricação das linhas é a solução de futuro. Carregar o seu próprio combustível nunca será tão eficiente e depósitos de H2 serão sempre potenciais fontes de perigo. Mesmo que digam que os sistema de segurança sejam top.

  2. Não me parece de todo uma solução a longo prazo. Na minha opinião, a electricação das linhas é a solução de futuro. Carregar o seu próprio combustível nunca será tão eficiente e depósitos de H2 serão sempre potenciais fontes de perigo. Mesmo que digam que os sistema de segurança sejam top.

  3. Uma boa oportunidade para a CP renovar a sua frota uma vez que vão começar a haver mais comboios em segunda mão disponíveis para venda e como se trata de uma empresa que anda da marcha atrás esta será a cereja em cima do bolo.

  4. Muito obrigado pela ajuda.
    Ainda bem que há gente ignorante como eu, só assim não fosse não tinha oportunidade de mostrar ao “mundo” o seu brilhantismo!!!
    Parabéns!!!

    • É mais que evidente que o artigo foi traduzido através de uma conversão de inglês para brasileiro, com uma revisão final no mínimo muito apressada. «Frenagem» existe como conceito equivalente de travagem (a origem é a verbo francês freiner) mas utiliza-se mais no país além-Atlântico do que em português de Portugal, daí ser possível estabelecer-se a dúvida sobre qual o significado. Não estou a ver ninguém em Portugal, no dia-a-dia, dizer que vai «frenar» o automóvel em vez de utilizar o mais usual «travar». Agora que alguém me diga o que é “ião lítio” penso que exigirá um pouco mais de esforço. E, já agora que a estrutura gramatical das frases esteja correcta, então sim, juntaríamos o útil ao agradável. E a desculpa esfarrapada do AO de 1990 já não funciona. Aliás, a correcção linguística dos textos de carácter “científico” do ZAP deixa muito a desejar. São na maior parte dos casos traduções automáticas de inglês para algo que tem a ver com português mas a que lhe falta ainda bastante para lá chegar.

        • Não tem que agradecer, Rui Silva. A cooperação é a única maneira de chegarmos a algum lado, ou seja, de remarmos na mesma direcção. A dissensão só dá origem a direcções divergentes que não contribuem em nada para melhorar as situações. Por isso mesmo continuo a tecer as minhas críticas, que considero construtivas, à qualidade do português das notícias científicas do ZAP: se fossem melhor escritas poderiam ser um excelente meio de divulgação de informação científica interessante.

        • Está a ver que as correções sempre serviram para alguma coisa! Agora já foi capaz de escrever duas linhas sem quaisquer erros!

      • Caro Jorge Gonçalve,
        Obrigado pelo seu reparo.
        Sem prejuízo de que o ZAP possa cometer incorrecções nos seus textos (que as comete), neste caso concreto o texto é da Agência Lusa. Nem a Lusa, nem o ZAP usa “correcções automáticas” do inglês, nem “Google Tradutor”. Essa é uma piada gasta, que confessamos que começa a tornar-se cansativa.
        Quanto ao esclarecimento que pediu, aqui vai, sem grande esforço:
        Segundo julgamos saber, “ião lítio” não existe. Existe, sim, em pt_PT correcto, “bateria de ião de lítio”, ou “bateria de ião-lítio”:
        “Bateria íon-lítio (português brasileiro) ou bateria de ião lítio (português europeu) é um tipo de bateria recarregável muito utilizadas em equipamentos electrónicos portáteis”.
        Quanto ao uso do termo “frenagem” que usámos (não o termo brasileiro “freagem”), que parece desajustado se usado como sinónimo (que o é) de “travagem”, é um termo perfeitamente correcto quando usado em referência ao “dispositivo mecânico que transforma em energia eléctrica a energia cinética libertada durante uma travagem”, designado Frenagem Regenerativa ou Travagem Regenerativa.
        Sabemos que nos falta sempre muito para chegar ao grau de rigor que os nossos leitores felizmente nos exigem. Mas orgulhamo-nos do trabalho que fazemos na divulgação da ciência em português, e de que esse trabalho imperfeito mereça na esmagadora maioria das vezes a crítica construtiva com que os nossos leitores o enriquecem.

        • Boa tarde. As minhas desculpas por mencionar um tipo de tradução que não é por vós utilizado e ainda por ter assumido que a origem da notícia era vossa: a designação ZAP assim mo fez supor. Agradeço a sua resposta concisa e ainda a menção de que irão continuar a fazer o vosso melhor para divulgar a ciência em português e, espero, em português correcto. Todos nós ficaremos mais ricos com isso. Não pretendendo assumir o papel de Apeles, gostaria apenas de realçar que, embora aceite que no domínio da mecânica se utilize «Frenagem» como termo equivalente para Travagem, não vejo razões para tal porque a conversão de energia cinética para energia eléctrica resulta de um processo de desaceleração de movimento, logo uma travagem. Mas como a mecânica não é exactamente a minha especialidade, fico-me por aqui. No entanto, não posso deixar de fazer uma pequena correcção à sua resposta: as baterias «ião lítio» não existem em português europeu. Ião no singular significa «um», pelo que uma bateria teoricamente com apenas um ião de lítio desenvolveria um valor de tensão reduzidíssimo que não teria qualquer utilidade. A língua brasileira sempre teve alguma dificuldade quando se trata de traduzir conceitos anglo-saxónicos em que a destrinça entre singular e plural não é fácil de estabelecer e normalmente optam por traduzir palavra a palavra, neste caso «lithium-ion» deu origem a ião-lítio (ao menos trocam a ordem!). Mas na língua de Camões, como poderá comprovar em muitos artigos da especialidade, nomeadamente os que falam de telemóveis ou tracção eléctrica, o termo utilizado para o tipo de baterias em causa é «baterias de iões de lítio». As minhas desculpas pelo tempo que lhe tomei e os meus agradecimentos pela sua resposta.

          • Caro Jorge Gonçalves,
            Não tem que pedir desculpa. Damos sempre por bem empregue o tempo que usamos com os nossos leitores.
            Obrigado, uma vez mais, pelo seu reparo.

    • Não é “só assim não fosse” mas sim “se assim não fosse”.
      Olhe que andam aí uns cursos de Português para estrangeiros que provavelmente lhe dariam muito jeito.

      • Isto é um site para avaliar a escrita e o português de cada um?!.. a essa genta lha apenas digo para se meter na sua vida e quando eu quiser explicações ou tiver dúvidas eu peço!.. aqui exprimem se opiniões e debatem se pontos de vista!.. ninguém está em exame nem faz parte das regras para participar, por isso digo aos iluminados que se metam na vida deles, pois eles é que ainda nao perceberam o funcionamento do site!..

  5. Tudo indica que o Hidrogénio, a par da electricidade, será o combustível do futuro.
    De todos o mais limpo! E, como o tempo urge, os que podem, serão naturalmente os primeiros a avançar com soluções para um futuro mais ecológico.
    Agrada-me!

  6. O hidrogénio é obtido numa central especial com um processo de eletrólise ao aplicar eletricidade à água, o que separa hidrogénio e oxigénio. Ou seja, usam electricidade para criar hidrogénio e depois fazem o hidrogénio criar electricidade para mover o comboio, entendi mal? Se não, porquê não usar logo comboios eléctricos.

  7. Realmente. Avancem mas é para o elétrico, muito mais simples, menos dispendioso (barato não será) que o hidrogénio, e bem mais seguro. No Reino Unido estão a desenvolver projetos em que se recondicionam composições antigas, substituindo os sistemas de locomoção por motores elétricos e baterias.
    Para países como nosso, com orçamentos sempre a esticar, seria uma opção bem mais viável, e criaria emprego.
    https://youtu.be/9s4heZe7ChM

    • Não diria melhor, e já agora, façam qualquer coisa de útil pela linha do oeste, que está basicamente ao abandono, tanto turismo e nem uma rede ferroviária de jeito pelas praias temos.

  8. Concordo com o caro Alvaro, tratam-se de veículos que percorrem sempre o mesmo percurso (circulam sobre carris), faz mais sentido levar a energia até eles, que ter de transportar o hidrogénio (que foi obtido consumindo electricidade) e ainda por cima com o acréscimo de energia adicional necessária para transportar esse “peso morto” para depois o hidrogénio ser novamente reconvertido em electricidade (mais perdas) nas “fuel-cells”. O hidrogénio é muito interessante nos carros, a meu ver bem mais que a opção eléctrica, principalmente pelo tempo de carga, mas nos comboios, a electrificação das linhas faz muito mais sentido, e é apenas um investimento único para todos os comboios futuros.

    • Também estou de acordo. E nas cidades os elétricos e os trolleys deveriam ser ressuscitados. Quanto aos automóveis o hidrogénio parece-me a melhor solução.

  9. Acho curioso chamarem comboio do futuro e zero emissões quando a sua eficiência é baixa.
    Segundo https://en.wikipedia.org/wiki/Hydrogen_fuel , o rendimento máximo na produção de hidrogénio é de 75% e depois o rendimento para obter energia a partir do hidrogénio é no máximo de 80%. Combinando as duas dá um rendimento de 60%.
    Com isto quer dizer, que um comboio a hidrogénio vai consumir aproximadamente o dobro da energia de um comboio elétrico, ou seja, uma uma vez que as fontes renováveis são limitadas, qualquer aumento de consumo de energia vai ter de ser feito à custa de energias não renováveis!
    Resumindo, esta tecnologia só deve ser aplicada onde a eletrificação da linha seja inviável.

  10. iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii tanta FRENAGEM em movimeto iiiiiiiiiiiiiiii ATE AS BARRACAS CUBATAS ABOAM iiiiiiiiiiiiiiiiiie la para ai ja vaiS muito raPIDO iiiiiiiiiizzzzzzzzzzzzzzziiiiii………….
    agp

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