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Afinal, já houve uma preguiça que não era totalmente herbívora

Concavenator / Wikimedia

Reconstrução artística da preguiça Mylodon darwinii

Um novo estudo sugere que uma espécie de preguiça já extinta, que viveu na América do Sul até há cerca de 10 mil anos, não era exclusivamente herbívora.

Em comunicado, os investigadores do Museu Americano de História Natural explicam que, com base numa análise química de aminoácidos preservados no pelo de exemplares desta espécie (Mylodon darwinii), surgiram evidências de que era, na verdade, omnívora.

“Se eram necrófagas esporádicas ou consumidoras oportunistas de proteína animal é algo que não pode ser determinado na nossa pesquisa, mas agora temos fortes evidências que contradizem a presunção de longa data de que todas as preguiças eram herbívoras”, disse na mesma nota Julia Tejada, autora principal do estudo publicado, esta quinta-feira, na revista científica Scientific Reports.

Julia Tejada

A investigadora Julia Tejada junto a um fóssil de Nothrotheriops shastensis no Yale Peabody Museum.

Os investigadores analisaram amostras de sete espécies vivas e extintas de preguiças e de vermilíngues (que estão intimamente relacionadas com as preguiças), bem como de uma ampla gama de omnívoros modernos.

Enquanto a outra preguiça extinta presente no estudo – a Nothrotheriops shastensis – foi considerada uma espécie exclusivamente herbívora, os dados apontaram claramente a M. darwinii (milodonte) como sendo omnívora.

Investigações anteriores já tinham especulado que havia mais herbívoros do que plantas disponíveis nos ecossistemas antigos da América do Sul, sugerindo que alguns desses animais podem ter encontrado outras fontes de alimento. Este novo estudo, destaca o comunicado do museu, fornece evidências convincentes dessa teoria.

“Estes resultados, que dão a primeira evidência direta de omnivoria numa espécie de preguiça ancestral, exigem uma reavaliação de toda a estrutura ecológica das antigas comunidades de mamíferos na América do Sul, já que as preguiças representaram um componente importante desses ecossistemas nos últimos 34 milhões de anos”, considerou Tejada.

  ZAP //

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