Portugal é o 11.º país do mundo que mais álcool consome

Portugal é 11.º país do mundo que mais consome álcool. No entanto, é também um dos países da Europa em que a taxa de distúrbios causados pela dependência dessa substância é mais baixa.

Uma análise do WorldAtlas, divulgada em setembro deste ano e desenvolvida com base em dados recolhidos e analisados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mostra que Portugal faz parte dos 25 países que mais álcool ingere, com um consumo médio anual de 12,90 litros de álcool puro ‘per capita’.

As conclusões deste estudo, que incluiu indivíduos com mais de 15 anos de idade, mostram que as taxas mais elevadas de consumo de álcool estão concentradas na Europa – Bielorrússia, Lituânia, República Checa e Irlanda – e noutros locais do hemisfério norte. Em contrapartida, os países da Ásia, da África e do Pacífico apresentam taxas muito menores.

 

Existem vários fatores que influenciam as tendências registadas. Um deles está relacionado com a produção de bebidas alcoólicas: muitos dos países europeus são os principais produtores das maiores marcas do mercado.

Essa situação pode ser atribuída ao facto de o consumo se ter tornado parte da cultura desses locais há muitos séculos, com a atividade a ser transmitida de geração em geração.

Outra dos aspetos está relacionado com as condições climáticas. Muitos dos países que compõem esta tabela estão localizados em regiões frias do planeta. De acordo com o WorldAtlas, as populações dessas zonas tendem a consumir elevadas quantidades de álcool para combater os efeitos do frio, pois este pode criar uma ilusão de aquecimento do corpo.

Dependência de álcool e droga no mundo

No entanto, apesar de ser o 11.º país com maior consumo de álcool registado ‘per capita’, Portugal regista a menor taxa de distúrbios associados à dependência de álcool e de drogas – 1,91% -, quando comparado aos outros 24 países acima referidos.

Este resultado pode ser encontrado num relatório do Our World in Data, divulgado em maio de 2018. Nesta pesquisa, a investigadora Hannah Ritchie analisou alguns fatores relativos ao abuso dessas substâncias a nível mundial, dados que permitiram verificar a prevalência global de transtornos associados a estes fenómenos em 2016.

 

Como se pode verificar, a taxa de distúrbios associados à dependência dessas substâncias em Portugal corresponde à metade da registada na Finlândia ou na Moldávia, e a quase três vezes menos do que na Rússia, que lidera esta tabela de 25 países.

Quanto aos restantes dados do relatório, a primeira conclusão avançada pela pesquisadora mostra que 1,3% da população mundial teve pelo menos um episódio de distúrbio causado pelo uso de álcool e 0,9% causado pelo abuso de drogas, o que equivale a cerca de 164 milhões de pessoas.

A prevalência desses transtornos é mais alta na Europa Oriental e nos Estados Unidos, ocorrendo entre 5 a 6% da população, ou seja, cerca de uma em 20 pessoas.

Segundo a investigadora, compreender a verdadeira extensão dos distúrbios causados pelo uso de substâncias ilícitas ou de álcool é tão difícil como entender os distúrbios associados a doenças mentais.

O Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), centro de pesquisa da Universidade de Washington que opera na área de estatísticas globais de saúde e avaliação de impacto, avalia a prevalência de distúrbios causados por estas substâncias utilizando uma combinação de registros médicos e nacionais, dados epidemiológicos, dados de pesquisa e modelos de meta-regressão.

Outra das conclusões do relatório de Hannah Ritchie aponta que a dependência de álcool é mais alta na Europa Oriental (em particular na Rússia), enquanto a de drogas prevalece na América do Norte (principalmente nos Estados Unidos). No entanto, na maior parte dos países, predominam os transtornos causados pelo uso de drogas.

O mesmo relatório indica ainda que os distúrbios causados pelo uso de álcool e drogas são mais comuns nos homens que nas mulheres, facto constatado em todos os países, com exceção da Ucrânia, no caso de dependência de álcool.

 

Por último, a pesquisadora concluiu que os transtornos por uso de drogas tendem a ser mais comuns na faixa etária dos 20 anos, na maior parte dos países. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, 9% dos indivíduos entre 20 e 24 anos tinham tido pelo menos um episódio de dependência por uso de drogas em 2016.

No entanto, alertou a investigadora, esta a tendência não é um padrão específico dos jovens adultos da atualidade. A tendência para o uso de substâncias atingir o pico durante esse período, antes de declinar mais tarde, tem sido recorrente nas diferentes gerações.

Taísa Pagno, ZAP // WorldAtlas

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