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Pinturas destruídas de Gustav Klimt foram reconstruídas com recurso a Inteligência Artificial

Google Arts and Culture

Pinturas de Gustav Klimt

O pintor austríaco Gustav Klimt criou algumas das suas obras mais conhecidas durante a chamada Fase Dourada – que se manteve viva durante a primeira década do século XX.

Durante o seu período mais inspirador, o artista produziu obras como o “Retrato de Adele Bloch-Bauer I” (1907) – que representa uma mulher elegante que veste um vestido geométrico e se encontra rodeada por um mar de ouro, ou “O Beijo” (1908) – que retrata uma cena sensual, onde dois amantes apaixonados se abraçam num campo de flores.

Contudo, apesar da sua singularidade, nem todas as obras do austríaco sobreviveram intactas até aos dias de hoje. Os assaltos nazis durante a Segunda Guerra Mundial levaram à destruição de valiosas pinturas de Klimt.

Alguns dos quadros que acabaram por ficar destruídos foram as “Pinturas da Faculdade” que representavam, escreve a Smithsonian Magazine, três cenas alegóricas intituladas “Filosofia, Medicina e Jurisprudência”. As obras foram criadas para a Universidade de Viena, mas posteriormente foram rejeitadas por serem excessivamente críticas em relação à ciência.

Em 1945, poucos dias antes do fim da Segunda Guerra Mundial, as pinturas acabaram por ficar destruídas num incêndio no Castelo de Immendorf, na Áustria.

Agora, uma equipa de historiadores de arte teve interesse em analisar as pinturas de uma forma diferente: não usando apenas as fotografias disponíveis a preto e branco, mas através da tecnologia.

Os especialistas restauraram as pinturas históricas com aproximações das suas cores originais, oferecendo a quem as observa, uma noção mais real de como as obras de Klimt se pareciam antes de serem destruídas pelo fogo.

Para criar as imagens, o Google Arts and Culture e o Museu Belvedere em Viena desenvolveram uma ferramenta que recolheu informações sobre o uso de cores por Klimt de fontes distintas.

De acordo com a ART News, o conjunto de dados incluiu descrições jornalísticas contemporâneas das pinturas, um milhão de fotos e 80 reproduções coloridas de pinturas de Klimt do mesmo período.

Emil Wallner, engenheiro da Google, esteve quase seis meses a codificar o algoritmo de Inteligência Artificial para criar previsões de cores.

Em comunicado, Franz Smola, curador do Museu Belvedere, refere que: “o resultado foi surpreendente porque fomos capazes de colorir [as obras de Klimt] mesmo em sítios onde não tínhamos conhecimento. Com a ajuda da tecnologia, temos boas suposições de que Klimt usou certas cores”.

Atualmente, os amantes da arte podem explorar estas recreações através de uma nova galeria do Google Arts & Culture que traz uma retrospetiva do pintor Gustav Klimt, sendo que o acesso pode ser obtido no browser ou na aplicação do projeto da Google.

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As pinturas reconstruídas são combinadas com uma exposição virtual, “Klimt vs. Klimt: O Homem das Contradições”, que explora a vida idiossincrática e o legado do pintor.

A retrospetiva reúne mais de 120 das obras-primas mais famosas do artista, bem como obras menos conhecidas, e reúne uma seleção habilmente curada numa realidade aumentada imersiva e 3D Pocket Gallery.

  Ana Isabel Moura, ZAP //

 

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