Doença de Parkinson pode ter início ainda antes do nascimento

Pessoas que desenvolvem a doença de Parkinson antes dos 50 anos podem ter nascido com células cerebrais “desordenadas” que não foram detetadas durante vários anos.

O Parkinson ocorre quando os neurónios responsáveis por produzir dopamina, substância que participa da coordenação de movimentos musculares, morrem ou pioram o seu funcionamento. Os sintomas tendem a surgir nos pacientes por volta dos 60 anos, ocorrendo rigidez nos músculos, lentidão nos movimentos, tremores e perda de equilíbrio.

Os cientistas estimam que cerca de 10% dos casos de doença de Parkinson sejam provocados por mutações em genes específicos. As restantes possíveis causas ainda são um mistério para a comunidade científica.

Agora, uma equipa de cientistas do Centro Médico Cedars-Sinai, em Los Angeles, nos Estados Unidos, levou a cabo uma investigação que se centrou na análise de casos de jovens pacientes com Parkinson, sem histórico familiar da doença e sem mutações associadas a esta condição.

De acordo com a BBC, os investigadores geraram células estaminais pluripotentes induzidas (iPSCs), que levam as células adultas ao seu estado primitivo embrionário. Desta forma, estas células podem ser capazes de produzir qualquer tipo de célula do corpo humano, além de serem geneticamente idênticas às células do paciente.

Os autores recolheram células do sangue dos pacientes, geraram iPSCs e neurónios produtores de dopamina (dopaminérgicos), que foram posteriormente observados em laboratório.

De acordo com o artigo científico, publicado na Nature Medicine a 27 de janeiro, a primeira etapa do estudo envolveu três pacientes com Parkinson precoce e três pessoas num grupo de controlo. Depois, foram analisados mais pacientes.

Clive Svendsen, líder do estudo e professor do Cedars-Sina, na Califórnia, disse que esta técnica “forneceu uma janela no tempo que nos permitiu ver como os neurónios dopaminérgicos podem ter funcionado desde o início da vida de um paciente”.

A equia detetou duas anormalidades nestes neurónios: a acumulação da proteína alfa-sinucleína, presente na maioria das manifestações de Parkinson; e lisossomos defeituosos, estruturas celulares que funcionam como sacos do lixo para decomposição e descarte de proteínas e material celular. Aliás, este mau funcionamento pode levar à acumulação da alfa-sinucleína.

“De acordo com as nossas conclusões, parece que os neurónios dopaminérgicos podem continuar a manipular a alfa-sinucleína por um período de 20 ou 30 anos, provocando então o aparecimento dos sintomas de Parkinson”, referiu o investigador, no comunicado divulgado à imprensa.

Os cientistas esperam que esta recente descoberta possa vir a ser útil na identificação e no tratamento da doença de Parkinson preventivamente.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), pessoas diagnosticadas com Parkinson entre os 21 a 50 anos de idade correspondem a 5 a 10% do total de pacientes com a doença.

ZAP //

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