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Painéis solares, uma batalha financeira nos EUA

Concessionárias pagam aos clientes pela energia que é enviada de volta para a redes. Há quem queira mais, há quem queira menos.

Mississipi é a origem da conversa. Este Estado norte-americano foi um dos mais recentes a aprovar subsídios aos seus habitantes que instalem painéis solares nos telhados de suas casa.

Mississipi é um dos 37 Estados que fazem reembolso da demominada full retail rate, a taxa do preço de venda ao público. Mas, num dos locais dos EUA que recebe mais sol, é um dos Estados que pagam menos.

Será por isso que, em todo o Estado, apenas 586 casas tenham painéis de energia solar instalados.

A prioridade é afastar os habitantes das fontes de energia que emitem dióxido de carbono – um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.

Tal como disse à NBC News um professor na Universidade de Stanford, Mark Jacobson, a energia solar nos telhados tem um “enorme potencial” para reduzir a poluição atmosférica, para evitar interrupções de fornecimento de energia e para reduzir as despesas públicas na energia.

Nos Estados Unidos da América a ideia é que sejam utilizadas energias renováveis, em exclusivo, no máximo até 2050.

Mas as pessoas, especialmente no Mississipi, sentem que os incentivos financeiros são escassos.

Os Estados devolvem o valor da energia solar que é devolvida para a rede pública. No entanto, com o passar dos anos, o preço da energia solar diminuiu e a sua utilização aumentou; e as concessionárias têm pressionado os responsáveis locais para reduzir o valor dessas devoluções.

Flórida, Califórnia e Carolina do Norte: exemplos de Estados onde tem havido pressão para os incentivos à população serem cortados.

No Mississippi, a “batalha” é entre ambientalistas e empresas de energia solar por um lado, e as maiores concessionárias do Estado, por outro.

As concessionárias Mississippi Power e Entergy Mississippi pedem aos reguladores estatais que diminuam os incentivos financeiros dados aos utilizadores domésticos de energia solar.

Alegam que os habitantes que não utilizam esta energia iriam pagar pelos que utilizam, o que iria afectar sobretudo as pessoas com salários mais baixos.

“A energia solar no telhado não é económica para a maioria dos clientes e quaisquer esforços para melhorar artificialmente essa economia serão suportados financeiramente pelos clientes que não participam no processo”, comentou a Mississippi Power, em Fevereiro.

“As concessionárias gritam e gritam, dizem que é horrível. Eles têm um mercado protegido. São um monopólio. Mas há pessoas que querem ter energia limpa e querem ter o direito de auto-gerar”, criticou Louie Miller, directora da associação ecologista Sierra Club, no Mississippi.

O panorama não é unânime. Há estudos que defendem os argumentos das concessionárias, outros estudos contrariam.

Os instaladores e os ambientalistas defendem um aumento das taxas de reembolso – mas dificilmente isso vai acontecer no Mississippi.

Uma alternativa, ainda no âmbito financeiro, pode passar por diminuir os preços das instalações dos painéis solares para pessoas com menores rendimentos.

No entanto, isto não deverá ser suficiente para o aumento de clientes: cada pessoa paga entre 10.6 mil euros e 15.5 mil euros pela instalação de painéis de energia solar no seu telhado.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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