Pai de Aylan regressou à Síria para enterrar a família

EPA / TOLGA ADANALI

Abdullah Kurdi, pai da criança síria fotografada morta numa praia da Turquia

Abdullah Kurdi, pai da criança síria fotografada morta numa praia da Turquia

Abdullah Kurdi, pai da criança síria que morreu no Mediterrâneo e cuja imagem correu o mundo, já voltou à sua terra natal para enterrar a família. 

Oriundos de Kobane, cidade síria dizimada pelos combates com o Estado Islâmico, o casal Kurdi e os seus dois filhos, fugiram para a Turquia, onde pagaram quatro mil euros para conseguir lugar num bote sobrelotado.

Embora tivessem o visto recusado, a busca por uma vida melhor passava por ir ao encontro de vários familiares no Canadá.

O final desta história já todos conhecemos, depois da fotografia de Aylan Kurdi ter abalado o mundo.

Abdullah Kurdi chegou esta quinta feira à sua cidade natal para enterrar a família e recusa voltar ao Canadá.

“Depois do que aconteceu, não quero ir. Vou levá-los primeiro a Suruç e depois a Kobane. É lá que vou ficar o resto da minha vida”, disse o pai, citado pela agência EFE.

“Quero que o mundo inteiro nos ouça e veja onde chegamos para tentar escapar da guerra. Vivo um grande sofrimento. Faço esta declaração para evitar que outras pessoas vivam o mesmo”, explicou Abdullah aos jornalistas.

Segundo a AFP, um longo cortejo acompanhou o pai das duas crianças afogadas desde Bodrum, a praia da Turquia onde apareceram os corpos, até a fronteira com a Síria.

Os preparativos estavam em andamento na cidade para enterrar os elementos da família como mártires, porque eles “pagaram com suas vidas para escapar da guerra”, de acordo com autoridades locais citadas pela agência francesa.

EPA

Funeral de Aylan Kurdi, a criança síria que morreu afogada numa praia da Turquia

Funeral de Aylan Kurdi, a criança síria que morreu afogada numa praia da Turquia

O sírio, que foi um dos dois sobreviventes das quase vinte pessoas que morreram nas embarcações, contou que tentou agarrar os filhos e a mulher mas que não teve força suficiente para os segurar.

“Tínhamos coletes salva-vidas, mas o barco afundou porque várias pessoas se levantaram”, explicou à agência turca Dogan.

“Estava escuro e todas as pessoas estavam a gritar. Foi por isso que a minha mulher e os meus filhos não podiam ouvir a minha voz. Consegui nadar até à costa graças às luzes mas, uma vez em terra, não consegui encontrá-los”, acrescentou.

A irmã que vive em Vancouver há 20 anos, foi uma das pessoas que tentou ajudar a família a refugiar-se no Canadá.

Teema Kurdi disse que tinha reunido, em janeiro, os documentos necessários para uma candidatura de imigração ao abrigo do programa de refugiados.

A cidadã sírio-canadiana relatou que tentou, com a ajuda de amigos e vizinhos, reunir as garantias bancárias necessárias para trazer a família para o Canadá, mas que não conseguiu.

O ministro da Imigração do Canadá, Chris Alexander, já negou que a família tenha solicitado um pedido para ficar no país, embora a sua irmã tenha pedido ajuda para saber como patrocinar o seu pedido de asilo.

Alexander também negou que funcionários canadianos tenham oferecido a Abdullah Kurdi asilo no Canadá ou a nacionalidade canadiana.

O ministro disse que o seu departamento recebeu um pedido de refúgio para outro irmão da família, chamado Mohammad Kurdi, mas que as autoridades canadianas o rejeitaram porque faltava um documento.

Em março, um deputado do Novo Partido Democrático, partido da oposição, entregou a Alexander uma carta de Teema Kurdi, na qual solicitava ajuda e informação para que os seus dois irmãos e respetivas famílias pudessem chegar como refugiados ao Canadá.

Teema Kurdi afirmou que as normas não lhe permitiam patrocinar a chegada dos seus dois irmãos, pelo que apresentou primeiro o pedido de asilo para Mohammad.

A fotogógrafa que fez o retrato que se tornou um símbolo da luta dos refugiados, Nilüfer Demir, também já reagiu relativamente a este episódio.

“Quando vi Aylan Kurdi, o meu sangue congelou. Não podia fazer nada. Estava ali deitado de barriga para baixo, sem vida, com uma camisola vermelha e uns calções azuis. Não podia fazer nada por ele”, conta.

“A única coisa que podia fazer era tornar a sua tragédia conhecida. E foi isso que fiz, ao fotografar”, rematou a repórter turca que acompanha a crise dos refugiados há quinze anos.

ZAP / Lusa

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