Osso com 14 mil anos pode revelar uma nova e misteriosa espécie humana

Peter Schouten / Popular Mechanics

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Um osso que esteve esquecido num museu durante 25 anos pode ser de uma nova espécie humana que conviveu com os homens contemporâneos. Uma teoria que a confirmar-se revoluciona tudo aquilo em que acreditamos até agora sobre a evolução humana.

Este osso, encontrado numa caverna na região autónoma de Guangxina, na China, esteve durante 15 anos num museu do país, sem que tenha merecido qualquer atenção.

Até que uma equipa de investigadores australianos e chineses decidiu analisá-lo, descobrindo que é um osso datado de há cerca de 11 mil anos, mas com características semelhantes aos dos humanos primitivos que se acredita terem desaparecido milhares de anos antes disso.

Este osso, um fémur, pode ser o vestígio mais moderno dos humanos primitivos mais recentes, nomeadamente os Neandertais que datam de há 40 mil anos.

“Neste momento, não sabemos que espécie encontramos. Só temos um único osso do fémur e há muito poucos ossos similares do Este da Ásia com os quais fazer comparações”, explica um dos co-autores do estudo, o professor Darren Curnoe, da Universidade da Nova Gales do Sul, na Austrália, em declarações ao Popular Mechanics.

“Só podemos dizer que é provavelmente uma espécie humana pré-moderna e talvez relacionada com o Homo erectus ou outro membro mais inicial da espécie humana”, acrescenta.

A confirmar-se esta tese, seria “a mais jovem ocorrência da espécie”, refere o investigador.

Osso Nova Especie Humana

No estudo, publicado no jornal científico PLoS One, os cientistas repararam que o osso revela semelhanças com o Homo erectus e com o Homo habilis, que viveram há 2 milhões de anos, podendo assim ser de um sobrevivente mais recente ou de uma nova espécie descendente destas duas, ou ainda outro “parente” desconhecido dos humanos actuais.

Até agora, os cientistas ainda não conseguiram extrair qualquer amostra de ADN do fémur, pelo que as dúvidas persistem e é difícil retirar conclusões precisas.

O fémur terá uma dimensão pequena, um traço característico das espécies humanas mais primitivas, que indicia que caminhava de forma diferente dos humanos modernos.

Também haverá evidências de ter sido queimado num fogo que terá sido usado para cozinhar carne, ideia que faz levantar a possibilidade de ter sido canibalizado.

Outros estudos feitos pelos mesmos investigadores, nomeadamente em torno de um crânio descoberto noutra caverna próxima, indiciam que o Homo Sapiens acasalava com espécies humanas mais primitivas, que possivelmente também lhes serviam de alimento.

“Tínhamos noções muito concretas sobre a nossa evolução: que nos encontrámos isolados em África em evolução e que rapidamente substituímos todas as outras espécies à nossa volta porque pensávamos que éramos superiores a eles. E aconteceu muito depressa, sem dúvida, e sem interacção biológica. Mas a história da hibridização virou tudo isso de cabeça para baixo”, constata o responsável pelo estudo, citado pelo New Scientist.

ZAP

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