Os humanos pré-históricos gostavam tanto dos seus cães que os matavam

Os humanos domesticam cães há, pelo menos, 14 mil anos. Uma nova investigação revela que esta relação é mais do que duradoura, tendo os donos dos animais tentado “imortalizar” os seus animais de estimação.

Uma equipa de arqueólogos escavou uma série de enterros datados com 6 mil anos de idade perto de Barcelona, tendo encontrado os restos mortais de, pelo menos, 26 cães.

As ossadas incomuns dos animais sugerem que os cães eram companheiros próximos dos seres humanos, mas esta relação pode ter sido ainda mais estreita: segundo especialistas, os cães podem ter sido mortos para que pudessem seguir com os seus donos na vida após a morte, tal como nota o portal IFLScience.

A investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Journal of Archaeological Science, revelou características curiosas encontradas nos restos mortais dos cães. A análise anatómica dos seus ossos revelou que os animais não tinham mais de seis anos quando morreram e, muitos destes, eram apenas filhotes com um ano de idade.

Estas conclusões poderiam apontar que os cães estavam a ser mortos para a alimentação dos Humanos, mas os seus osso não tinham quaisquer marcas de corte ou abate.

“A escolha de animais jovens com idade até um ano sugere que havia uma intenção no sacrifício. Apesar de podermos pensar que se destinavam para o consumo humano, o facto de terem sido enterrados perto de humanos sugere que havia uma intenção e uma relação direta com a morte e com o ritual funerário“, disse a investigadora Silvia Albizuri, da Universidade de Barcelona (UB), citada em comunicado.

Além disso, nota, os animais parecem ter tido uma dieta alimentar semelhante a dos seus companheiros humanos. A sua proximidade com os assentamentos humanos pré-históricos mostra que estes cães eram parte inseparável da vida quotidiana das comunidades neolíticas na Península Ibérica. Os cães parecem ter sido altamente respeitados na comunidade. Fisicamente, os animais encontrados eram também semelhantes, notando um “certo controlo na criação” para potenciar as características desejáveis.

“Estes dados mostram uma estreita coexistência entre cães e seres humanos e, provavelmente, uma preparação específica na sua nutrição, que é clara nos casos de uma dieta à base de em vegetais”, acrescentou a cientista Eulàlia Subirà, que também participou da investigação. “Provavelmente faziam isso para obter um melhor controlo das suas tarefas de segurança e para economizar o tempo que teriam que gastar à procura de comida. Esta gestão explicaria a homogeneidade do tamanho dos animais.”

Por tudo isto, acreditam os cientistas, os animais foram sacrificados para que os seus dono pudessem mantê-los como companheiros na vida após a morte. “Talvez este relacionamento de vida os tenha, eventualmente, transformado em ‘companheiros’ na morte ou símbolos em rituais”, concluiu a investigação.

ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Estavam comparados com os humanos da actualidade que matam as amantes ou amantes, os filhos até por amor, estranha forma de vida!

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