A origem das famosas figuras de cera de Madame Tussaud é de perder a cabeça (literalmente)

Sebastian Niedlich / Flickr

A famosa escultora que deu o nome à rede de museus tem uma história arrepiante marcada pela turbulência da Revolução Francesa.

Os museus de Madame Tussaud são dos mais famosos do mundo graças às suas incríveis figuras de cera. Mas por trás das figuras tão realistas que parecem verdadeiras e das milhares de selfies que os visitantes tiram com elas, há uma história sinistra e bizarra.

Nascida em 1761 com o nome Marie Grosholtz, a então futura Madame Tussaud começou a sua carreira no mundo da escultura como aprendiz de Philippe Curtius, um modelador de cera suíço que acabou por abrir o Salon de Cire em Paris.

Antes da fotografia e da televisão, as estátuas de cera eram as representações mais próximas e acessíveis que a população tinha de personalidades famosas e de figuras políticas. Sob a orientação de Curtius, Grosholtz tornou-se uma especialista em criar estátuas muito realistas, incorporando até dentes e cabelo humanos.

Durante a década de 1780, Grosholtz tornou-se próxima da família real francesa e até foi tutora da Madame Élisabeth, a irmã mais nova do rei Luís XVI. Quando se deu a Revolução Francesa, em 1789, estas ligações à realeza saíram caras à artista, que por pouco escapou ao mesmo destino de Maria Antonieta e companhia, que foram executados com a guilhotina.

A escultora safou-se porque os revolucionários decidiram que o seu talento seria útil na criação de máscaras mortuárias da nobreza que foi massacrada. Grosholtz criou máscaras dos rostos de Luís XVI, Maria Antonieta, a sua própria estudante Madame Élisabeth e até Jean-Paul Marat, meras horas após o seu esfaqueamento mortal.

Reza a lenda que algumas das cabeças destas figuras foram levadas directamente até à artista logo após a execução para que esta pudesse replicar todos os detalhes nas suas esculturas. Marie Grosholtz usou depois estas máscaras mortuárias para criar as suas famosas esculturas das principais figuras da Revolução Francesa.

Quando o seu mentor morreu em 1794, Grosholtz casou com François Tussaud e foi viver para o Reino Unido em 1802 para fugir à turbulência política em França e ao seu casamento infeliz, relata o Ancient Origins.

Depois de viajar pelo país durante 33 anos, mostrando a sua exposição das máscaras da Revolução, a artista finalmente criou raízes em Londres em 1835, abrindo o primeiro museu Madame Tussaud.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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