“Operação Northwoods”. O plano dos EUA que previa matar civis americanos para culpar Cuba

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PD, Marcelo Montecino/Wikimedia

A “Operação Northwoods” previa ataques terroristas em cidades norte-americanas, culpando Cuba pelas agressões, de forma a ter uma justificação para invadir o país.

Documentos desclassificados pelo Governo dos Estados Unidos deram a conhecer ao público, em 2001, aquela que é conhecida como “Operação Northwoods“, que consistiu nas diversas operações secretas planeadas durante a década de 60 pelo exército norte-americano.

O derradeiro objetivo era a prática de atentados terroristas e o assassinato de pessoas inocentes, de forma a manipular a opinião pública para conseguir o apoio da população numa guerra contra Cuba.

Washington planeava culpar os cubanos por estes ataques em pleno território norte-americano, para que tivesse uma razão “válida” para entrar em guerra com Cuba.

Os planos envolviam possíveis assassinatos de refugiados cubanos, o afundamento de barcos de refugiados cubanos em alto mar, o sequestro de aviões comerciais, a explosão de um navio americano e até a orquestração de terrorismo violento em cidades norte-americanas.

Os ataques levariam à morte de civis inocentes e seriam então atribuídos a Fidel Castro, que junto a Che Guevara e Camilo Cienfuegos, havia instaurado uma revolução socialista em Cuba.

O alto comando militar norte-americano fez também planos para desenvolver uma campanha de terror em Miami, Flórida e até mesmo em Washington, a qual seria atribuída, pela imprensa norte-americana, a “comunistas cubanos”.

Estes planos foram detalhados no livro “Body of Secrets: Anatomy of the Ultra-Secret National Security Agency”, escrito pelo jornalista James Bamford.

“Essa campanha de terror seria dirigida contra refugiados cubanos asilados nos EUA. Nós afundaríamos um barco carregado de refugiados cubanos a caminho da Flórida (real ou simulado). Poderíamos promover atentados às vidas de cubanos que vivem nos Estados Unidos, até mesmo a ponto de feri-los, em ocasiões que serão amplamente divulgadas. Explodir algumas bombas plásticas em locais estratégicos, prender alguns agentes cubanos e divulgar documentos, previamente preparados, para comprovar a participação de Cuba seria útil para divulgar a imagem de um Governo cubano irresponsável”, lê-se no livro de Bamford.

As ideias foram elaboradas com a aprovação unânime do Estado-Maior-General das Forças Armadas norte-americanas, e apresentados ao secretário da Defesa Robert McNamara, em março de 1962.

Os planos acabariam por ser vetados pela administração do presidente John F. Kennedy e ficaram desconhecidos do público durante quase 40 anos.

Segundo Adam Wallinsky, redator de discursos de JFK e seu amigo íntimo, o então Presidente norte-americano terá saído da reunião e dito: “E ainda dizemos ser a raça humana…”.

  Daniel Costa, ZAP //

2 Comments

    • Meu Caro MMQ, nao sei se o afirma como piada ou sarcasmo, mas infelizmente, existe evidencia suficiente para termos duvidas graves sobre a co-responsabilidade de agencias do Governo dos USA no dia 11 de Setembro.
      Recuso as fantasias de “teorias da conspiracao”, algumas delirantes. Eu quero evidencia solida e que analiticamente e’ consistente, tanto com os factos conhecidos, com com precedentes e consequentes.
      Neste caso, a evidencia aponta para um erro de calculo para aceitarmos a versao mais benevolente. Eles nao foram organizadores, mas sim cumplices, ao ter conhecimento antecipado, pelo menos de alguma coisa, e deixar correr, deliberadamente para poder aproveitar da reaccao popular , para por em pratica o “patriot act” e a invasao do iraque.

      Ha’ evidencia que os servicos USA tinham informacoes bastantes especificcas sobre a iminencia de uma atentado, e decidiram deixar correr, pois ajudaria a) a suster a queda acelerada de apoio a Bush, que estava mesmo em risco de impeachment, no meio dos escandalos enron e ouros, e que portanto ameacavam o poder repubicano e da ala agressiva neoconservadra b) permitindo um ataque, abriria caminho a medidas ja’ pre-cozinhadas, de fascizacao, como o “Patriot act”, que dava poderes ditatoriais com o argumento da “seguranca nacional” – exactamente o que veio a acontecer.
      O que pode ter acontecido e’ nao terem antevisto a dimensao e impacto politico / emocional do atentado. Alis, tudo indica que nem os terroristas esperavam o derrube das duas torres – apanhou de surpresa tanto a CIA como os AlQaedas.
      A evidencia vai desde os contactos hoje comprovados da CIA com membros ou proximos da alqaeda via arabia saudita, a proteccao imediata a familiares de bin laden, muito antes de ser conhecido o seu papel publicamente, as movimentacoes financeiras momentos antes do ataque, a falsa narrativa sobre o Iraque para deitar poeira para os olhos sobre a enorme cumplicidade da Arabia Saudita com alqaeda e dos USA com a Arabia Sautida, e varios outros pontos, alguns dos quais foram inclusivamente apresentadas como evidencia documental por um documentario de Oliver Stone, e nunca desmentidos ou sobretudo postos em causa com contra-evidencia.
      Creio que o facto deste plano anti-Cuba ter tido o apoio unanime das instituicoes de topo , torna ainda mais claro a real possibilidade desta co-responsabilidade, se nao de ser co-autor, mas pelo menos de ter deliberadamente nada feito para impedir. Ccm a excepcao do Presidente democrata, por sorte no poder na altura (sabemos o que teria acontecido se fsse um presidente republicano). Infelizmente Biden nao e’ Kennedy

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