OMS e Pequim deviam ter reagido mais cedo, concluem especialistas

Jean-Christophe Bott / EPA

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e Pequim deviam ter reagido mais rapidamente à pandemia, concluiu o grupo de especialistas responsável por avaliar a resposta mundial, referindo que a disseminação da covid-19 beneficiou da falta de divulgação de informação.

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No seu segundo relatório, que será oficialmente apresentado na terça-feira, em reunião da Organização Mundial da Saúde (OMS), este grupo de especialistas sublinha ser possível verificar, “na cronologia inicial da primeira fase da pandemia, que teria sido possível agir mais rápido com base nos primeiros sinais”.

“É evidente para o Grupo Independente que as medidas de saúde pública poderiam ter sido aplicadas com mais vigor pelas autoridades locais e nacionais chinesas em janeiro”, escreveu o grupo no relatório.

Os especialistas apontam ainda para a demora da OMS em reunir-se com o seu comité de emergência, no início da pandemia, e a relutância em declarar uma emergência sanitária internacional. “Não vemos por que razão [a OMS] não se reuniu antes da terceira semana de janeiro, nem por que não declarou imediatamente uma emergência de saúde pública de interesse internacional”, o nível mais alto de alerta para uma pandemia, pode ler-se.

Desde o início da crise de saúde, no final de 2019, a OMS tem sido fortemente criticada pela sua resposta, nomeadamente pela demora em recomendar o uso de máscara.

A principal crítica, no entanto, foi a acusação pelos Estados Unidos de ter sido extremamente complacente com a China, país onde foi detetado inicialmente o coronavírus, e de ter demorado a declarar o estado de emergência sanitária mundial.

Em maio do ano passado, os Estados-membros da OMS concordaram com o princípio de uma investigação independente e, em julho, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou a criação do Grupo Independente para fazer “uma avaliação honesta” à gestão da crise e “tirar lições” para o futuro.

Este grupo é copresidido pela ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark e pela ex-Presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf.

Em pouco mais de um ano, a pandemia matou mais de dois milhões de pessoas e pouco menos de 100 milhões de pessoas foram infetadas, números oficiais que provavelmente subestimam o balanço real.

  // Lusa

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