OCDE mais pessimista que o Governo quanto ao défice

Clara Azevedo e Paulo Henriques / Portugal.gov.pt

Primeiro-Ministro António Costa e Ministro das Finanças, Mário Centeno

Primeiro-Ministro António Costa e Ministro das Finanças, Mário Centeno

A OCDE reviu em baixa as suas previsões do crescimento do PIB para 1,2% este ano e 1,3% em 2017, advertindo que a política de devolução de rendimentos não terá efeitos duradouros na economia portuguesa.

Nas previsões económicas divulgadas esta quarta-feira no documento Economic Outlook, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) piorou a sua estimativa para o crescimento económico, esperando agora que o Produto Interno Bruto (PIB) português cresça 1,2% em 2016 e 1,3% em 2017, quando em novembro antecipava avanços de 1,6% e de 1,5%, respectivamente.

Assim, a OCDE duvida que a economia portuguesa cresça ao ritmo de 1,8% previsto pelo Governo para este ano e para o próximo, de acordo com as estimativas inscritas no Programa de Estabilidade 2016-2020, remetido a Bruxelas no final de abril.

O relatório afirma que a economia cresceu menos do que a zona euro neste primeiro trimestre, apoiada num “consumo privado robusto“, enquanto o investimento, pelo contrário, “caiu acentuadamente e continua a prejudicar o crescimento, devido sobretudo ao elevado endividamento privado, fraco balanços dos bancos, incerteza política e à perda do ímpeto reformista”.

No documento, que foi preparado por uma equipa do departamento de Estudos Económicos liderada por Álvaro Santos Pereira – ex-ministro da Economia do Governo de Pedro Passos Coelho -, a OCDE admite que o consumo privado “pode compensar parcialmente os resultados negativos do investimento”.

Mas avisa que não será sempre assim: “As políticas para impulsionar a procura interna não vão produzir efeitos duradouros“.

A instituição afirma que medidas como o aumento do salário mínimo nacional, a reversão dos cortes salariais na função pública e da sobretaxa em sede de IRS “vão manter o consumo privado robusto”.

“Mas o aumento da despesa em consumo sofre limitações impostas por uma taxa de poupança historicamente baixa e uma reduzida criação de emprego, levando o consumo privado a perder o vapor”, diz a OCDE.

Reciprocamente, acrescenta a organização, “o investimento deve recuperar ao longo de 2017, enquanto o aumento da competitividade e a recuperação da procura extrema vão fortalecer as exportações”.

“Em conjunto, estes desenvolvimentos devem apoiar um crescimento económico moderado nos dois anos“, afirma.

Endividamento

Ainda assim, a instituição liderada por Ángel Gurría afirma que os riscos para o crescimento da economia “são maioritariamente internos e estão relacionados com o alto endividamento dos setores público e privado”.

Entre os riscos está a revisão em baixa do rating atribuído pela agência canadiana DBRS, “o que tornaria o acesso a financiamento externo, incluindo do Banco Central Europeu, mais difícil”.

Para a OCDE, a fraca rendibilidade e peso do crédito malparado “aumentam as preocupações face à estabilidade do setor financeiro”, mas considera que medidas políticas que reduzam o endividamento empresarial e limpem o balanço dos bancos “podem reduzir a vulnerabilidade dos bancos e permitir mais recursos para o investimento”.

A organização também piorou a estimativa para o desemprego, esperando que represente 12,1% este ano e 11,5% no próximo, quando em novembro apontava para taxas de 11,3% e 10,6%, respetivamente.

O mesmo aconteceu com a taxa de inflação, que a OCDE espera agora que seja 0,3% este ano e 0,8% no próximo, quando no Economic Outlook anterior previa que fosse 0,7% este ano e 1% em 2017.

ZAP / Lusa

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