O bife de laboratório vai chegar aos talhos em 5 anos

David Parry / EPA

O investigador Mark Post mostra o seu hambúrguer de laboratório

O investigador Mark Post mostra o seu hambúrguer de laboratório

A equipa de investigadores holandeses que conseguiu sintetizar o primeiro hambúrguer de laboratório espera começar a vender o produto dentro de cinco anos.

Os cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, criaram agora uma nova empresa, com o objectivo de transformar a carne artificial num hambúrguer que seja mais saboroso e barato.

Há dois anos, a equipa de investigadores apresentou ao mundo, em Londres, o seu protótipo de um hambúrguer artificial.

Mas o custo de produção deste hambúrguer foi altíssimo: cerca de 292 mil euros.

“Estou confiante de que, quando for oferecido como uma alternativa à carne, um número cada vez maior de pessoas vai achar difícil, por razões éticas, não comprar o nosso produto”, disse à BBC o director da nova empresa, Peter Verstrate.

“Acredito que vamos colocar o produto no mercado dentro de cinco anos”, diz Mark Post, o investigador que desenvolveu, nos laboratórios da Universidade de Maastricht, o primeiro hambúrguer de carne artificial.

Post pensa que, inicialmente, o produto estará disponível só por encomenda, mas, quando a procura de carne artificial se estabelecer e o preço baixar, deve chegar às prateleiras dos supermercados.

O segredo? Células-estaminais

O hambúrguer artificial é feito a partir de células-estaminais, cujas características lhes permitem ser transformadas em qualquer tipo de tecidos – tais como nervos e pele.

A maioria dos investigadores que trabalham com células-estaminais tenta cultivar tecido humano para transplantes ou para substituir tecido muscular doente, células nervosas ou cartilagem.

Mark Post, no entanto, usa estas células para cultivar músculo e gordura para o fabrico dos hambúrgueres artificiais.

O processo começa com células-estaminais retiradas do músculo de uma vaca.

Em laboratório, essas células são colocadas numa cultura – uma solução com nutrientes e elementos químicos – que as ajuda a crescer e multiplicarem-se.

Em apenas três semanas, obtém-se mais de um milhão de células-tronco, que são divididas e colocadas em recipientes menores.

As células já crescidas transformam-se em pequenas tiras de músculo, com aproximadamente um centímetro de comprimento e apenas alguns milímetros de espessura.

As pequenas tiras são então recolhidas em pequenos montes, coradas e misturadas com gordura.

O hambúrguer resultante deste processo foi preparado e provado, em directo, durante uma conferência de imprensa em Londres, há dois anos.

Um especialista gastronómico, que na altura provou a iguaria, disse que o gosto era “próximo do da carne, mas não era tão suculento”.

Mas um outro especialista foi peremptório: “sabe mesmo a hambúrguer verdadeiro”.

Provando um princípio

Segundo Peter Verstrate, o hambúrguer servido em 2013 ainda não era o produto final.

“Era proteína, fibra muscular. Mas carne é muito mais que isso – é sangue, é gordura, tecido de ligação, e tudo isso soma ao gosto e à textura.”

“Se quisermos imitar a carne, precisamos de fazer também isso tudo – usando as tecnologias de engenharia de tecido – mas na altura ainda não o tínhamos feito”, acrescentou.

A Mosa Meat, a empresa fundada por Verstrate, Post e a Universidade de Maastricht, quer agora sintetizar carne moída em laboratório de forma a que seja tão saborosa como a carne real —  a um custo igual ao da carne moída vendida actualmente.

Nos últimos dois anos, Post e sua equipa progrediram na investigação, mas o cientista percebeu que, para colocar o produto no mercado em cinco anos, terá que acelerar os estudos.

A Mosa Meat vai empregar 25 cientistas, técnicos de laboratórios e gestores, e um dos principais objectivos da equipa será descobrir como iniciar a produção em massa.

Os investigadores vão analisar também formas de produzir costeletas com impressoras 3D.

Isso vai demorar ainda um pouco mais – mas ao que tudo indica, chegará muito antes do tempo do capitão James T. Kirk.

ZAP / BBC

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1 COMENTÁRIO

  1. Finalmente algo útil a nível global e com aplicação imediata! São é más notícias para os criadores de animais.. mas eventualmente, esse tipo de “cultivo” ficaria obsoleto, e contra isso nada se pode fazer!

    Vamos lá ver é se não começam a surgir outros “sabores” .. tipo… hamburger de t-rex e hamburger de “zé manel” … (e se depois tomam o gosto à coisa.. ui ui.. )

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