Novos sismos em São Jorge sugerem pela primeira vez “movimentação de fluidos em profundidade”

António Araújo / Lusa

A ilha de São Jorge, nos Açores, registou nas últimas 24 horas, e pela primeira vez desde o início da crise sísmica, dois abalos vulcanotectónicos que sugerem “movimentação de fluidos em profundidade”, indicou o CIVISA.

No briefing diário, Fátima Viveiros, do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), explicou que a identificação destes “dois eventos de características híbridas, ou vulcanotectónicos”, em nada altera as medidas aplicáveis na ilha de São Jorge, que já estava em alerta vulcânico V4 (ameaça de erupção).

Isto vem corroborar que estamos no nível V4, que era o que se esperava. Estes sinais vêm corroborar que são de esperar em sistemas vulcânicos ativos. O que podemos fazer é reconhecer que passaram a existir”, observou a responsável em declarações aos jornalistas.

Fátima Viveiros explicou que estes eventos vulcanotectonicos são “sismos que resultam da fusão de abalos puramente tectónicos, de altas frequências”, como os que desde 19 de março se estavam a registar, com “frequências mais baixas, que sugerem movimentação de fluidos em profundidade”.

Perante esta novidade, “tudo o que tinha sido aplicado” pelo CIVISA “continua na mesma linha”, assegurou. Mantêm-se, assim, uma “vigilância de 24 horas e todas as redes instaladas” e uma “monitorização permanente durante a noite”.

Aparecendo mais sismos desta natureza, o que será expectável, serão reportados”, observou, explicando que a indicação da profundidade destes eventos “é muito mais suscetível de erro”.

Fátima Viveiros informou que, desde 19 de março, foram registados naquela ilha do arquipélago dos Açores um total de 27.626 abalos, 229 dos quais sentidos pela população.

Entre as 00:00 e as 10:00 de hoje, foram registados 102 abalos, um deles sentido pela população. Na terça-feira, foram registados “592 eventos, dois sentidos”.

Luis Moniz, diretor de serviços e planeamento de operações da Proteção Civil Regional, indicou que “as imagens cedidas pelas Forças Armadas ao CIVISA não revelaram dados adicionais considerados relevantes”.

O responsável acrescentou que as Forças Armadas “continuam as atividades de reconhecimento de portos e portinhos”.

Rui Costa, do Comando Operacional dos Açores, explicou que está previsto terminar hoje o reconhecimento de toda a costa Norte “para, depois, concluir toda a costa Sul”. O Comando Operacional dos Açores tem, na ilha de São Jorge, afetos à crise sismovulcânica, 61 militares e 11 viaturas.

O sismo de maior magnitude (3,8 na escala de Richter) ocorreu no dia 29 de março, às 21:56.

A ilha mantém o nível de alerta vulcânico V4 (ameaça de erupção) de um total de sete, em que V0 significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”.

  // Lusa

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