Há uma nova esperança para o navio Mary Rose. Técnica de raios-X pode salvar a joia da coroa de Henrique VIII

Um novo método de raios-X permitiu aos investigadores identificar nano-partículas de sulfeto de zinco na madeira do navio Mary Rose, a joia da coroa da frota de Henrique VIII. Estes compostos químicos estão a contribuir para a decadência do navio.

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Apesar do navio ter atravessado o Atlântico e lutado com os seus pesados canhões ao longo de 34 anos, as bactérias e os produtos químicos presentes na madeira começaram a destruir aquilo que restava do navio – conhecido por ser o favorito do rei Henrique VIII de Inglaterra.

Após mais de 500 anos da sua construção, o navio continua a ser visto como um verdadeiro tesouro cultural e a sua preservação tem sido uma das grandes preocupações de muitos especialistas.

Agora, um novo projeto pode alcançar esse objetivo. Kirsten Marie Ørnsbjerg Jensen, professora da Universidade de Copenhaga, scaneia materiais através do uso de tecnologia avançada de raio-x e esteve a analisar o navio.

“Observamos a madeira do Mary Rose através de uma nova técnica que é comparável ao funcionamento de um TAC de hospital. A diferença é que o nosso método combina tomografia computadorizada com o que é conhecido como espalhamento de raios-X ”, explica Ørnsbjerg Jensen.

De acordo com a investigadora, o novo método “permite analisar a estrutura dos materiais em nível atómico, o que facilita a observação de substâncias dentro da madeira do navio. Dá-nos ainda informações sobre o que está a contribuir para a degradação da madeira, para que esta possa ser preservada no futuro”.

Em 1543, o Mary Rose naufragou durante uma batalha naval com a França e foi resgatado em 1982, naquela que continua a ser a operação de salvamento mais cara do mundo.

Os restos do navio estão, atualmente, em exibição no Museu Mary Rose, em Portsmouth, Inglaterra. Mas depois de mais de 400 anos no fundo do Canal da Mancha, o casco do navio de madeira está vulnerável à decomposição. A ameaça inclui depósitos de peças de metal no navio e bactérias que desencadeiam ataques com ácido nas madeiras.

Graças à nova técnica, conhecida como “tomografia computadorizada de raios-X com análise de função de distribuição de pares” (ctPDF), há agora uma esperança para o navio lendário, tal como para outros artefactos culturais e relíquias arqueológicas.

O método ajudou os investigadores a identificar uma série de substâncias destrutivas que decompõem a madeira quando esta ressurge e é exposta ao oxigénio novamente.

A Mary Rose Trust, que é a base por trás do museu especialmente construído para o antigo navio de guerra, está entusiasmada com a nova técnica.

“Ser capaz de perscrutar as madeiras do Mary Rose e descodificar não apenas a estrutura da madeira, mas também o grau de degradação, fornece uma visão fascinante“, refere a instituição, citada pelo Futurity.

O estudo foi publicado na revista Matter.

  ZAP //

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