“De cabeça erguida” em tribunal, Netanyahu considera “ridículas” acusações contra ele

Ronen Zvulun / Pool / EPA

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse este domingo apresentar-se “de cabeça erguida”, no início do seu julgamento por corrupção, em Jerusalém, considerando “ridículas” as acusações feitas pelos promotores públicos.

“Apresento-me de costas e de cabeça erguidas”, disse Netanyahu à entrada do tribunal de Jerusalém, onde considerou de “ridículas” as acusações que lhe são feitas de “corrupção, abuso de confiança e peculato”.

O primeiro-ministro israelita fez ainda declarações contra o sistema judiciário do seu país, acusando a polícia e os promotores públicos de conspiração por o obrigarem a apresentar-se em tribunal, uma vez que tinha pedido para ser representado pelos seus advogados.

Benjamin Netanyahu, o primeiro chefe de governo israelita a ir a julgamento disse, à chega ao tribunal, que está em curso “um esforço para frustrar a vontade do povo”, com o objetivo de derrubarem o seu executivo “de direita”, acusando “a esquerda” de procurar nos tribunais o poder que não conseguiu nas urnas.

Netanyahu enfrenta acusações de fraude, abuso de confiança e suborno numa série de casos de corrupção decorrentes de ligações a amigos com poder financeiro. É acusado de aceitar prendas generosas e de oferecer favores aos “patrões” da comunicação social, em troca de cobertura favorável para si e para os seus familiares. Acusações que nega e que chegam à justiça, após anos de escândalos em redor da sua família.

À chegada ao tribunal, o primeiro-ministro israelita considerou-se uma vítima de uma profunda conspiração montada pelos meios de comunicação social, a polícia, os procuradores e os juízes, para o destituírem.

O líder afirmou ainda que os polícias e promotores conspiraram para que o caso fosse “feito à medida” contra ele e disse que as provas foram “contaminadas” e exageradas.

O primeiro-ministro israelita pediu igualmente para que as audiências fossem transmitidas em direto pelas televisões, alegando garantir assim “transparência total”.

Os críticos disseram que os argumentos de “conspiração estatal” usados por Netanyahu minaram o sistema de justiça de Israel, arriscando desta forma que as instituições democráticas sofram danos mais profundos.

Ataques ao sistema judicial

O processo chegou à barra da justiça pouco depois da tomada de posse do seu novo governo, após um impasse político de mais de um ano, seguido de três eleições inconclusivas. A primeira reunião do executivo decorreu horas antes de se dirigir a tribunal.

Nem Netanyahu nem nenhum dos seus ministros se referiram o iminente início do julgamento, apesar de o ministro cessante dos Assuntos Religiosos ter dito que “Deus irá trazer a verdade ao de cima“, durante o processo.

Benjamin Netanyahu e os seus aliados têm atacado continuamente o sistema judiciário do país, e as acusações contra o primeiro-ministro têm dividido a nação.

Tanto à porta da residência oficial, como do tribunal, concentraram-se este domingo grupos opostos de manifestantes, de apoio e de contestação a Netanyahu. Entre os opositores, viam-se cartazes apelidando-o de “crime-ministro” e requerendo a sua destituição.

Entre os apoiantes estavam políticos do seu partido, Likud, e havia quem usasse máscaras de Benjamin Netanyahu, para atacar o Ministério Público.

O procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, acusou Benjamin Netanyahu, em novembro, por suborno, fraude e abuso de confiança em três diferentes casos de corrupção. Um deles, designado “4000” ou “Bezeq”, nome de um grupo de telecomunicações israelita, é particularmente sensível para o primeiro-ministro.

Neste caso, a justiça suspeita que Netanyahu concedeu favores que terão rendido milhões de dólares ao proprietário da empresa Bezeq, em troca de uma cobertura mediática favorável num dos media do grupo, o portal de Internet Walla.

Um tribunal israelita ordenou na quarta-feira ao primeiro-ministro que comparecesse este domingo na abertura do julgamento, depois de os seus advogados terem apresentado um pedido em sentido contrário. O tribunal rejeitou o pedido, argumentando que a comparência do acusado na leitura da acusação é a regra e que não existem quaisquer fundamentos para que Netanyahu esteja ausente nesta fase do processo.

O julgamento de Netanyahu esteve inicialmente marcado para abril, mas foi adiado devido à pandemia de covid-19.

O primeiro-ministro, reconduzido no cargo no passado dia 17, no governo de união com o seu ex-rival eleitoral Benny Gantz, diz-se inocente relativamente às acusações e denuncia um complô da justiça contra si.

Em Israel, o primeiro-ministro não possui imunidade judicial, mas pode continuar em funções ou formar um governo apesar de alvo de uma acusação criminal, determinou o Supremo Tribunal.

// Lusa

 

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