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Não adianta nada agachar-se quando está a trovejar

O conselho já foi desmascarado no início deste século mas há entidades oficiais e autoridades que insistem. Com base em quê?

É um daqueles casos em que a ciência já desconstruiu a tese, mas a tese, essa ideia, continua a ser espalhada por milhares ou mesmo milhões de pessoas.

Este caso está relacionado com dias em que está a trovejar: como se deve proteger de um relâmpago?

A resposta imediata será: ir logo para um local seguro; dentro de um edifício sólido, com instalação elétrica e canalizações metálicas. Ou, pelo contrário evitar locais perigosos, basicamente ao ar livre – como campos abertos, praias, montanhas ou áreas descampadas, ou sobretudo árvores isoladas. E, claro, afastar-se de estruturas metálicas.

E é provável que encontre outro conselho na internet (aliás, aconteceu-nos quando estávamos a preparar este artigo): agachar-se. Se calhar com os pés juntos, se calhar não. A ideia é “manter-se o mais pequeno possível, colocando as mãos nos joelhos e a cabeça entre os joelhos”.

Quem disse? Isso ajuda no quê? Na verdade, em nada. É que essa posição não o torna mais seguro.

Nos EUA, o National Lightning Safety Council (NLSC) voltou a avisar nestes dias que essa dica é inútil – isto numa semana em que tempestades, incluindo relâmpagos, voltam a atingir o país.

O “agachar” é um conselho ultrapassado. O NLSC, esse conselho nacional sobre segurança em momentos de raios, pediu aos meteorologistas para deixarem de recomendar essa dica.

“Se for apanhado no exterior durante uma tempestade, o melhor plano de ação é mover-se o mais rapidamente possível para um lugar mais seguro”, reforça John Jensenius, especialista em segurança contra raios da NLSC, cita o Gizmodo.

“Quanto mais cedo chegar a um lugar seguro, menor será o risco. Agachar-se apenas prolonga o risco de ser atingido”, avisou Jensenius.

É que esse aviso sobre agachar-se está ultrapassado — e foi desmascarado há quase 20 anos. O NLSC já não o recomenda, o Serviço Nacional de Meteorologia também não; mas instituições como a American Hiking Society e a cidade de Bellmead, no Texas, continuam a recomendar essa posição.

Não dá nenhum nível extra de proteção: o Serviço Nacional de Meteorologia lembra que deixou de indicar essa dica há 17 anos e, em comunicado, acrescenta: “Quer esteja de pé ou agachado, se um canal de raios se aproximar diretamente de cima (ou muito próximo disso), é muito provável que seja atingido e morto ou ferido pelo raio”.

E há outro risco: as pessoas que acreditam que agachar-se resulta podem tornar-se complacentes e deixar de procurar um abrigo seguro até ao último minuto. Ou seja, estejam onde estiverem, agacham-se e pensam que estão mais seguros. Errado.

Na verdade, se estiver ao ar livre numa tempestade de raios ou trovões, não existe uma opção totalmente segura.

ZAP //

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