Mulher forçada a dar à luz bebé sem crânio devido às leis antiaborto americanas

Devido à estrita legislação antiaborto americana, uma mulher foi obrigada a dar à luz o seu filho que tinha anencefalia, uma malformação que consiste na ausência de cérebro.

O caso está a trazer ao de cima os podres das leis antiaborto americanas, que limitam a capacidade de decisão das mulheres. Por ano, mais de mil gravidezes são afetadas por anencefalia, uma malformação que consiste na ausência do cérebro ou parte dele. No Alabama, o aborto é absolutamente proibido, a não ser que a saúde da mãe esteja em causa.

Os casos de anencefalia têm 0% de probabilidade de o bebé sobreviver. Apesar da saúde física da mãe não estar em risco, o parto de um bebé sem cérebro ou crânio pode constituir uma experiência que deixa mazelas a nível psicológico.

Um médico, que preferiu não revelar a sua identidade, documentou um destes casos nos Estados Unidos, em que a mãe se viu forçada a dar à luz, mesmo sabendo que o seu filho não ia sobreviver. O artigo “O Mito da Escolha” foi publicado este mês na revista Annals of Internal Medicine.

Nesta publicação é relatada a história de uma mãe que consulta o médico já num estágio tardio da sua gravidez. Com o estado atual do sistema de saúde americano, apenas lhe foi possível visitar um médico quando já estava grávida há várias semanas.

O médico informou-a que o seu filho não iria sobreviver devido a uma anencefalia e viu-se impotente, uma vez que não podiam fazer nada para remediar a situação.

Wikimedia Commons

Raio X de uma anencefalia.

“Esperamos que o paciente quebre o silêncio”, escreveu o médico, após ter dado o diagnóstico.

“O batimento cardíaco do bebé atravessa os monitores enquanto suavemente olhamos para a mãe. Os seus olhos imploram-nos. Acabe com isto”. No entanto, não há nada que ninguém possa fazer — a legislação não o permite. “E assim, a mãe vai para casa, grávida e de luto“.

“O bebé nasceu sem crânio. Vivo, por momentos. Dói olhar. Grotesco é tudo o que pensamos, mas não o podemos dizer. Tentamos ter calma para acalmar todos os outros. Este é o nosso trabalho. Liderar, acalmar. Porque todos estão perturbados”, escreveu, citado pelo All That’s Interesting.

O médico explica ainda que mãe não conseguiu olhar para o filho e que o parto teve um forte impacto psicológico nela. Além disso, teve mudanças radicais nas ancas, nos ossos e nos músculos.

“Vai sair do hospital com os seios inchados e a chorar pela morte do filho”, lê-se no artigo. “As suas ancas soltas e largas vão forçar as calças a esticarem-se. Ela terá problemas com a postura durante semanas, pontuando a perda do gingar a cada passo, até que, gradualmente, retira as calças da maternidade e os seus passos se tornam firmes“, conclui.

ZAP ZAP //

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8 COMENTÁRIOS

    • Você tem noção que há 50 Estados com leis muito diferentes, e que em muitos Estados a lei do aborto é muitíssimo mais permissiva que em Portugal? Isto obviamente passou-se num Estado “vermelho”. Esses Estados semeiam o que colhem.

      • Sim, e em que é que isso altera esta situação?!
        É suposto esta mulher ficar mais contente por causa disso?
        Já para não falar disto: “Com o estado atual do sistema de saúde americano, apenas lhe foi possível visitar um médico quando já estava grávida há várias semanas.”
        .
        Pensa lá um pouco e diz-nos de achas que, em 2019 (e num país supostamente civilizado), é aceitável acontecer uma situação destas!!..

        • Um dos princípios fundadores dos EUA é a autonomia dos 50 Estados, em muitos aspectos quase como se de países diferentes se tratasse.

          “The powers delegated by the proposed Constitution to the federal government are few and defined. Those which are to remain in the State governments are numerous and indefinite”

          Se estes Estados querem leis anti-aborto altamente restritivas (no Alabama estão agora a passar uma lei que não permite aborto nem em casos de violação ou incesto), é lá com eles. Se as pessoas continuam a votar em quem passa este tipo de leis que não se venham queixar depois.

          Não é por acaso que os Estados do Sul têm a (má) fama que têm nos EUA.

          Quanto ao comentário de não ter podido visitar um médico, não conheço a história toda para comentar. Aparentemente visitou um médico ao fim de várias semanas, porque é que não visitou mais cedo? Quem não tem rendimentos nos EUA tem acesso a cuidados médicos através de Medicare e Medicaid, mas têm que se inscrever. Se não se inscreverem, não têm acesso a nada. Aí entra a responsabilidade pessoal de cada um (ou irresponsabilidade, que suspeito seja o que se passou neste caso).

          • Sim, mas como se vê no meu comentário inicial, eu não fiz considerações: eu apenas constatei a pura e dura realidade americana!

  1. Estamos vivendo um mundo de poderosos governando com mentes anencéfalicas. Minha nossa! Como e por que tamanho poder sobre o corpo da mulher obrigando-a a fazer o que as leis organizadas por um monte de psicopatas vem introduzir no poder sem nenhum exame que comprove sua capacidade mental, ilesa de quaisquer problema cerebral assim como as mães buscam saber através de exames físicos, sobre a saúde de seu abençoado filho desenvolvendo-se em seu ventre. Uma observação:- Se a lei se coloca à frente das responsabilidades dos pais, mais que justo que a criança venha ter toda cobertura daqueles que instituiram a lei, desde o momento da concepção até a idade adulta garantindo assim a saúde, a cultura e a segurança da mesma quando esta já terá sabedoria suficiente em reconhecer entre o bem e o mal.

  2. Se o bebé não é viável, não tinha sequer 1% de chance de sobrevivência, deveria haver essa excepção, assim como o há para a vida da mãe em perigo… Grotesco sim!…
    Então agora pergunto-vos, e matar um ser vivo saudável, já não é grotesco?…
    Se nunca viram como é feito um aborto, o que fazem ao feto, vejam no youtube.
    Nunca vi nem quero ver, porque sempre fui pró-vida, sei porque me contaram, no momento que virem, também vocês se vão tornar, a não ser que tenham uma pedra em vez de um coração…

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