Muitos “casos covid” foram hospitalizados devido a outras doenças

Por todo o país, o cenário repete-se: muitos “casos covid” foram hospitalizados devido a outras doenças, embora estivessem infetados.

Não é novidade nenhuma que o número diário de novos casos tem aumentado de forma galopante. Portugal atingiu, esta quarta-feira, mais um recorde de casos de covid-19: foram registadas 65.578 infeções, num dia em que há a lamentar 42 mortes.

O mais recente boletim epidemiológica da Direção-Geral da Saúde (DGS) mostra que há 2.313 doentes internados no país e 154 pessoas em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).

No entanto, a gravidade do estado de saúde dos pacientes não tem comparação com a de vagas anteriores. A variante Ómicron mostrou-se mais contagiosa, mas ao mesmo tempo provou causar uma forma de doença menos grave.

Uma parte substancial dos internados são pessoas que não foram internadas por causa da covid-19, mas sim por outras patologias, salienta o jornal Público.

Médicos de vários hospitais do país explicam ao matutino que em causa estão pessoas que tiveram acidentes ou então que iam ser operadas e perceberam que estavam infetadas. O cenário repete-se até nas Unidades de Cuidados Intensivos, realçam os médicos.

Esta situação pode mudar de proporção de hospital para hospital, mas revela que a imagem pintada pelos boletins da DGS é mais negativa do que a realidade.

“A esmagadora maioria está internada por outras doenças que não a covid”, diz Nélson Pereira, diretor da unidade autónoma de gestão de urgência e medicina intensiva do Hospital de São João, no Porto.

“Os números variam de dia para dia, mas só 25% a 30% é que estão internados por covid. Todos os outros foram internados devido a outras doenças”, acrescenta o médico, em declarações ao Público.

Mesmo no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, 27% dos pacientes estavam internados por outras causas, revelou fonte oficial do hospital. Em Coimbra, “uma boa percentagem de doentes internados, cerca de 40%, não está hospitalizado por causa da covid”, sublinha Carlos Robalo Cordeiro, do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

  Daniel Costa, ZAP //

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