Xiaomi
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Com a Tesla (e a Mercedes) em dificuldades, a Xiaomi viu uma oportunidade: reduziu o preço do elétrico de luxo em 35%.
A Xiaomi anunciou hoje uma redução de 35% no preço do elétrico de luxo SU7 Ultra, para reforçar a competitividade face à Tesla e à Porsche no mercado de gama alta.
O anúncio do corte no preço para 529 mil yuan (69.530 euros) provocou uma reação imediata no mercado, com mais de 6.900 encomendas nos primeiros dez minutos, informou a empresa nas redes sociais.
“A nossa missão é permitir que mais pessoas que nos seguem possam comprar carros de luxo”, disse o fundador da Xiaomi, Lei Jun.
A estratégia visa atrair clientes de marcas como a BMW, Audi e Mercedes-Benz, ao mesmo tempo que reforça a posição da Xiaomi no segmento de luxo, disse o fundador da tecnológica chinesa no evento de lançamento do telemóvel Mi 15 Ultra, em Pequim.
Em 2024, a versão padrão do SU7 já tinha ultrapassado o Tesla Model 3 na China, enquanto o SU7 Ultra, antes do desconto, estava na mesma faixa de preço que o Tesla Model S Plaid.
Em outubro, a Xiaomi afirmou que o seu modelo superava o Porsche Taycan Turbo em termos de aceleração e velocidade máxima.
Entre as atualizações, o SU7 Ultra oferece materiais considerados de luxo, melhores assentos e um sistema de áudio de alta qualidade.
De acordo com a Car News China, o Xiaomi SU7 pode parar a 180 km/h dez vezes seguidas sem diminuir a eficiência da travagem. O carro possui uma suspensão pneumática de câmara dupla que pode ajustar a rigidez e a distância ao solo do carro de forma independente. Tem também um sistema de arrefecimento em versão de pista.
A Xiaomi também está a manter uma edição limitada do modelo ao preço original de 814.900 yuan (108 mil euros), embora sem revelar as especificações exatas.
Lei Jun sublinhou que os compradores que fizerem encomendas do SU7 Ultra antes do final de março receberão benefícios adicionais, como o acesso vitalício gratuito ao sistema de condução inteligente Xiaomi HAD, que custa 26 mil yuan (3.411 euros).
Lei referiu-se ainda à concorrência com a Tesla, notando que a empresa de Elon Musk exige um pagamento adicional de mais de 60 mil yuan (7.873 euros) pela recente atualização do sistema de condução automática assistida Autopilot na China.
A concorrência forte da Xiomi chega num momento em que a Tesla decresceu 45% as vendas dos seus elétricos na Europa.
Mercedes em queda
A Mercedes-Benz iniciou hoje uma série de despedimentos que poderá afetar até 15% dos trabalhadores da fabricante automóvel alemã na China, face à queda das vendas, causada em parte pela ascensão de concorrentes locais.
O portal especializado AutoPix avançou que os principais departamentos afetados serão as vendas, o financiamento e os componentes.
Em 2024, o volume de negócios da Mercedes-Benz na China caiu 8,5%, em termos homólogos, devido a uma redução de 7,3% nas vendas de automóveis de passageiros e de 19,7% nas vendas de carrinhas.
A China é o maior mercado da marca alemã, com mais vendas de veículos de passageiros do que a Europa no seu conjunto, pelo que estes números pesaram nos resultados do exercício, que registam uma quebra global de 4,5% nas receitas e de 3% e 9,4% nas vendas de veículos de passageiros e de carrinhas comerciais, respetivamente.
Apesar do declínio na China, que a própria empresa atribui à “elevada concorrência”, o portal de notícias financeiras chinês Yicai sublinhou que a Mercedes-Benz conseguiu manter a posição de maior vendedor de automóveis de luxo no país asiático em 2024.
Em setembro, a empresa anunciou um investimento equivalente a cerca de 1,78 mil milhões de euros para aumentar a gama de veículos que produz na China, avançando “um novo capítulo” a partir de 2025 com a produção de modelos elétricos, segmento no qual as empresas locais, como a BYD, estão à frente das estrangeiras.
ZAP // Lusa