“Sou um preso político”. Mário Machado sai em liberdade com obrigação de apresentações periódicas

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Miguel A. Lopes / Lusa

O ex-dirigente do PNR, fundador da FN, Mário Machado

O fundador do movimento Nova Ordem Social (NOS) saiu em liberdade do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, esta sexta-feira, tendo como medida de coação a obrigação de apresentações quinzenais às autoridades do seu local de residência.

À saída do tribunal, o advogado de Mário Machado, José Manuel Castro, adiantou aos jornalistas que o único crime pelo qual o seu cliente está indiciado pelo Ministério Público é o de posse ilegal de arma.

“Mário Machado vai sair por aquela porta em liberdade mediante apresentações periódicas quinzenais no seu posto de residência. O crime que foi indiciado foi de posse ilegal de arma. Não há nenhuma medida privativa de liberdade a adotar”, afirmou.

Já no exterior do tribunal, em declarações aos jornalistas, o fundador do movimento Nova Ordem Social afirmou que a saída em liberdade é “uma vitória” para si, mas “uma derrota para a democracia”.

“Não estão reunidas as condições para eu exercer o meu direito à liberdade de expressão. O Ministério Público manteve-me preso durante três dias, queria que eu ficasse preso durante oito anos, por alegadamente ter escrito um texto na Internet”, declarou.

“Nunca em democracia se viu uma coisa assim, isto é um absurdo. Continuo a ser um preso político, a magistratura infelizmente continua a ter uma forte influência do Governo socialista e marxista que governa o país”, continuou.

“A partir de hoje vou-me retirar, vou deixar de ter redes sociais porque o Estado português assim o quer. Não estou para abdicar de oito anos da minha liberdade”, disse ainda, tendo pedido aos seus “camaradas” que compreendam a sua posição.

“O que o MP alega é que, quando um assassino de um adolescente no Algarve estava em fuga, a Nova Ordem Social escreveu um texto, que nem sequer me pode ser imputado, porque eram 12 as pessoas que podiam ter acesso a esse site, em que dizia que esse assassino devia ser entregue às autoridades, o que aconteceu apenas dois anos mais tarde e foi condenado a 16 anos de prisão”, explicou.

“Se em democracia não podemos pedir que os assassinos sejam entregues à polícia, então não sei o que poderemos dizer”, disse Mário Machado, terminando a sua intervenção com a saudação nazi.

Mário Machado foi detido em casa, esta terça-feira, pela Polícia Judiciária. Os inspetores da PJ dirigiram-se à sua residência, em Santo António dos Cavaleiros, apenas para fazer uma busca relacionada com crimes de propagação e incentivo ao ódio na Internet, no entanto, acabaram por encontrar a arma de fogo não registada, o que levou à sua detenção.

O antigo líder da Frente Nacional, de 44 anos, esteve ligado a diversas organizações de extrema-direita, como o Movimento de Ação Nacional, a Irmandade Ariana e o Portugal Hammerskins, a ramificação portuguesa da Hammerskin Nation, um dos principais grupos neonazis e supremacistas brancos dos Estados Unidos.

O nacionalista tem também um registo criminal marcado por várias condenações, entre as quais a sentença, em 1997, a quatro anos e três meses de prisão pelo envolvimento na morte, por um grupo de skinheads, do português de origem cabo-verdiana Alcino Monteiro, na noite de 10 de junho de 1995.

Tem ainda uma outra condenação de 10 anos, fixada em 2012 por cúmulo jurídico na sequência de condenações a prisão efetiva em três processos, que incluíam os crimes de discriminação racial, ofensa à integridade física qualificada, difamação, ameaça e coação a uma procuradora da República e posse de arma de fogo.

  ZAP // Lusa

3 Comments

  1. Só por o facto de enaltecer a saudação Nazi, como tem o mau habito de fazer deveria ser condenado a prisão. Todos temos em memória o que o Nazismo cometeu em termos de crime contra a humanidade !

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