Maquinista sofreu corte salarial por atraso de 1 minuto. Só recebeu dinheiro de volta já depois de morto

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Hirofumi Wada sofreu um corte salarial por se ter atrasado um minuto. Já depois de morto, o tribunal deu-lhe razão e devolveu-lhe 40 cêntimos.

Um maquinista japonês sofreu um corte salarial depois de ter provocado um atraso de um minuto na linha. Sentindo-se injustiçado com a decisão, Hirofumi Wada decidiu avançar para tribunal, acusando a empresa de ter cortado injustamente o seu salário.

O tribunal acabou por lhe dar razão, embora a decisão apenas tenhas surgido já semanas depois de o homem ter morrido. Wada vai agora receber 56 ienes — 40 cêntimos — de volta.

Tudo aconteceu em junho de 2020. Wada tinha de conduzir um comboio vazio até outra estação, mas antes de fazê-lo, enganou-se na plataforma e, como tal, saiu da estação um minuto depois do que estava previsto.

A sua empregadora, a West Japan Railway, argumentou que o maquinista não trabalhou durante aquele minuto e reduziu o seu salário, conta a VICE.

O tribunal de Okayama ditou a decisão esta semana, um ano depois de Wada interpor a sua ação judicial. Mas o pior é que a decisão foi tomada já depois de o maquinista de 59 anos falecer.

O tribunal ordenou que a West Japan Railway deveria, assim, devolver os 40 cêntimos que tinha deduzido ao seu trabalhador. Por outro lado, rejeitou a reivindicação adicional de 2,2 milhões de ienes (15.883 euros) em compensação por sofrimento emocional.

Os sindicatos comemoraram a vitória em tribunal e veem a decisão como um passo para melhorar os direitos laborais.

“Ficou muito claro que Wada ainda estava a trabalhar durante aquele minuto controverso”, disse Goto Maekawa, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da West Japan Railway, à VICE.

As empresas ferroviárias japonesas orgulham-se da sua pontualidade, embora os direitos do trabalhadores nem sempre sejam os melhores de forma a garantir a chamada pontualidade britânica — ou, neste caso, japonesa.

“É uma maneira de vigiar constantemente os seus funcionários e, se eles cometerem um erro, aplicariam punições bastante severas, como cortes salariais ou demissões, até mesmo fazer você escrever relatórios para dizer que nunca mais cometerá esse erro”, disse Maekawa quanto à punição pelo atraso de um minuto.

  Daniel Costa, ZAP //

4 Comments

  1. Em Portugal, os tribunais passariam séculos a julgar estes casos, A justiça ficava completamente entupida, até os Juizes tinham processos em tribunal a pedir devolução dos cortes.

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