Manuel Pinho usou “habilidade” para esconder património quando entrou no Governo

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José Sena Goulão / Lusa

O antigo Ministro da Economia Manuel Pinho

Num dos documentos apreendidos pelo Ministério Público, Manuel Pinho confessa ter usado uma “habilidade” para esconder parte do seu património quando entrou no Governo.

O Ministério Público apreendeu três documentos, no final de fevereiro, Manuel Pinho confessa que fez uma “habilidade” para ocultar a conta bancária que tinha na Suíça após ter tomado posse como ministro da Economia, em 2005.

Ainda assim, o ex-governante assume que tal “é moralmente condenável” e que “não o devia ter feito”. Foi através desta conta no Banque Privée Espirito Santo que recebeu uma avença mensal de cerca de 15 mil euros do chamado saco azul do GES.

Manuel Pinho e a sua esposa, Alexandra Fonseca, alegadamente desconheciam que a esmagadora maioria das transferências mensais tivesse sido feita entre 2005 e 2009. “Não recebia extratos bancários”, argumenta.

Seguindo a mesmo teoria, Pinho justifica que o casal detetou apenas duas transferências e que pediram a Ricardo Salgado e ao BES para pararem.

Entre julho de 2002 e abril de 2014, Manuel Pinho e Alexandra Fonseca receberam 2.110.672,80 euros do saco azul do GES. “Ficamos admiradíssimos”, lembra Manuel Pinho, ao ter descoberto o montante na conta em 2014.

De acordo com o Observador, Pinho diz também ter fundado uma sociedade offshore, em 2010, para comprar um apartamento em Nova Iorque por cerca de um milhão de euros, de forma a evitar pagar “direitos de sucessão”.

Contactado pelo Observador, o advogado de Manuel Pinho, Ricardo Sá Fernandes, realça que “o MP está na posse de informação que contradiz, total e incontornavelmente, as teses que tem defendido”.

“O ex-ministro nunca recebeu qualquer avença do BES durante o período em que esteve no Governo”, atira Sá Fernandes. “Nunca recebeu nada que não lhe fosse devido”.

O advogado acrescenta que o seu cliente “espera há mais de dez anos” que o Ministério Público deduza a acusação. Só aí é que Manuel Pinho “apresentará a sua defesa e assumirá as responsabilidades pelas faltas em que tenha incorrido”.

É num dos documentos apreendidos pelo Ministério Público, intitulado “Caranguejo”, que o antigo ministro de José Sócrates admite ter recorrido a uma “habilidade” para esconder parte do seu património.

“Assumo que usei de uma ‘habilidade’ para não revelar totalmente o meu património quando entrei para o Governo. Não o devia ter feito, mas a contrapartida teria sido continuar a gozar de um lugar tremendamente bem pago e em que fazia pouco, usufruir de férias de luxo e viajar em classe negócios”.

Pinho refere-se ao cargo de administrador executivo do Banco Espírito Santo e de outras sociedades do GES, em que recebeu 490 mil euros anuais em 2004 e 2005.

E que habilidade foi esta? “Antes de entrar no Governo, criei uma fundação, a Tartaruga, porque era forma ‘habilidosa’ de não ter de declarar as minhas poupanças no exterior, caso contrário não teria integrado o Governo”, explicou.

“Era mais importante servir o meu país e não tive alternativa”, acrescentou.

  ZAP //

14 Comments

  1. Coitado ainda perdeu com a vinda para o Governo. Cabe à justiça descobrir que mais contrapartidas e que mais habilidades este senhor fez enquanto esteve no governo e se recebeu também luvas ou tinha um amigo que lhe pagava as contas como o seu chefe. aquele Governo parece estar a provar-se ter sido o mais corrupto da nossa história e isso em si ja é um grande feito

    • Se fosse Lebre aquilo dava para subir o ”património” sacado aos contribuintes em milhares de milhões, assim, ficou-se por uma centena de milhões. Sim, ninguém no seu perfeito juízo acredita que esta criatura e a mulher tivessem saqueado o país em apenas em 2 ou 3 milhões. Investiguem!

  2. “Entre julho de 2002 e abril de 2014, Manuel Pinho e Alexandra Fonseca receberam 2.110.672,80 euros do saco azul do GES. “Ficamos admiradíssimos”, lembra Manuel Pinho, ao ter descoberto o montante na conta em 2014.”

    Isto tudo só pode ser mesmo para gozar com o povo!!! Só pode mesmo. Esta classe política parte do pressuposto que o povo é todo tolo. E por isso, fazem o que bem entendem. Quando são apanhados, vêm com as desculpas mais esfarrapadas (o outro não se lembra mas entretanto até já escreveu um livro de memórias!!!!; o 44 diz que é tudo de amigos e primos e o diabo a sete; este não sabia que estava a receber dinheiro!!!!!!!!!!!)
    Isto só é possível no terceiro mundo.

  3. Habilidade.. sem duvida que esta é uma grande característica dos nossos políticos. Só tenho pena que a nossa justiça não tenha qualquer tipo de habilidade para condenar estes artistas.

  4. “À justiça o que é da justiça”, diz o nosso Primeiro Ministro.
    Mas depois consegue armadilhar a justiça para que seja pouco eficaz.
    Mas a responsabilidade nem é dele, “porque há separação de poderes”.
    Este será mais um daqueles casos que se irá arrastando… arrastaaaando.
    Enfim, triste sina a nossa.

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