Maduro já tomou posse: “Eu sou um Presidente democrata profundo”

Hugoshi / wikimedia

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi esta quinta-feira empossado para um novo mandato de seis anos e no juramento disse que vai continuar a construir o socialismo do século XXI.

Nicolás Maduro tomou posse para mais um mandato de seis anos como Presidente da República Bolivariana da Venezuela, numa cerimónia realizada no Supremo Tribunal de Justiça na capital Caracas.

“Não podemos falhar e não falharemos. Juro pela minha vida e pela minha pátria.” Foi assim que Maduro terminou o seu discurso, uma oratória que resume os vários minutos em que nada escapou às críticas, especialmente ao “imperialismo norte-americano”. “Às vezes, é difícil suportar tanta campanha, tanta mentira”, referiu.

A Assembleia Nacional da Venezuela, na qual a oposição detém a maioria, declarou inconstitucional o novo mandato. A declaração teve por base um projeto de acordo para uma solução política à crise venezuelana e os parlamentares pedem a realização de eleições presidenciais em condições democráticas e com o apoio internacional. Por esta razão, a cerimónia realizou-se no Supremo Tribunal de Justiça.

Maduro começou por explicar que traz consigo “a mesma faixa presidencial que o comandante Hugo Chávez” porque defende a mesma causa, juntamente com a chave do sarcófago onde estão os restos mortais de Simón Bolívar e a ata da independência da Venezuela. “Não me pertence a mim. Esta faixa e esta força pertencem ao povo soberano da Venezuela.”

O líder venezuelano falou também numa “campanha de manipulação” contra o país, lembrando as acusações de “ditadura” de que tem sido alvo nos últimos anos.

Além disso, garantiu: “A Venezuela é um país profundamente democrático. Eu sou um presidente de verdade, democrata profundo”. Prova disso, explicou, são as 25 eleições que se realizaram nos últimos 19 anos, das quais “as forças bolivarianas, chavistas e socialistas ganharam 23”.

Os Estados Unidos, que negaram reconhecer a legitimidade do governo de Maduro, foram um dos temas centrais das acusações. O presidente garante que “a escola da Venezuela não foi nem é a escola das ditaduras, nem do imperialismo”.

Não me formei nas escolas da América, formei-me nos bairros de Caracas”, reforçou, deixando recado a “uma direita que infetou o seu fascismo na democracia latina”, como “é exemplo o Brasil e Jair Bolsonaro”.

Maduro deu também o exemplo das “sanções, perseguições, bloqueio económico e campanha mediática” feita pelos norte-americanos, garantindo que os “tempos coloniais” acabaram e que “o mundo é muito maior do que o império dos EUA e as suas ameaças”. “Já não é um mundo unipolar, hegemónico. Façam o que fizerem, há um mundo de pé. A Venezuela calhou de estar na primeira linha da batalha.

Maduro atirou também duras críticas à divisão da América Latina e do Caribe, considerando que existe “intolerância ideológica” e que querem “impor novamente a ideologia intervencionista que caracterizou o século XX” na região. Para resolver os problemas, sugeriu uma cimeira com os vários países latinos, “para discutir todos os temas, cara a cara”.

Por fim, Nicolás Maduro terminou com a garantia de que quer “corrigir muitos erros” cometidos pela Venezuela – “para consolidar a independência do país” –, fazendo ainda um apelo à Europa, que considerou estas eleições como “não democráticas”, para que não regresse ao “velho colonialismo e racismo”.

ZAP // Lusa

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