Luzes nas redes de pesca? Os golfinhos e as tartarugas agradecem

A implementação de luzes nas redes de pesca reduz a probabilidade de tartarugas marinhas e de golfinhos serem apanhados por acidente.

Luzes LED nas redes de pesca eliminariam a “captura acidental” de tartarugas marinhas em mais de 70% e a de pequenos cetáceos – como golfinhos – em mais de 66%.

O estudo, da Universidade de Exeter e da organização de conservação ProDelphinus, analisou embarcações que partiram de três portos peruanos, entre 2015 e 2018. Além das vantagens que as tartarugas e os golfinhos agradecem, os cientistas chegaram à conclusão que as luzes não reduziam a quantidade de “espécies-alvo” capturadas – isto é, aquelas que os pescadores querem mesmo apanhar.

Estes resultados apoiam uma pesquisa anterior, publicada em julho do ano passado na The Royal Society, que sugeria que as luzes LED reduzem a captura acessória de aves marinhas em cerca de 85%.

Segundo a autora principal do mais recente artigo científico, Alessandra Bielli, as redes de pesca são, normalmente, sinónimo de “altas taxas de capturas acessórias de espécies marinhas ameaçadas”, como tartarugas marinhas, baleias, golfinhos e aves marinhas. A investigadora salientou ainda que são poucas as soluções existentes para reduzir esta captura acessória.

No novo estudo, publicado dia 4 de dezembro na Biological Conservation, conclui-se que “dicas sensoriais” – neste caso, luzes LED – são uma forma eficaz de alertar estas espécies sobre a presença de utensílios de pesca nas águas.

A equipa de cientistas colocou luzes LED a cada 10 metros ao longo de uma linha flutuante composta por 864 redes de pesca, e combinaram cada rede iluminada por uma rede apagada, de forma a comparar os resultados.

“A dramática redução na captura acessória de tartarugas marinhas e cetáceos em redes iluminadas mostra como esta técnica simples e de custo relativamente baixo pode ajudar as espécies e permitir que os pescadores pesquem de maneira mais sustentável”, disse Jeffrey Mangel, da ONG ProDelphinus.

“Este trabalho mostrou ainda a utilidade das luzes nas redes para salvar a vida selvagem. Agora, precisamos de luzes cada vez mais robustas e acessíveis”, acrescentou o professor Brendan Godley, da Universidade de Exeter, citado pelo Phys.org.

ZAP //

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