Aos poucos, Fukushima está a voltar à vida. Japão desvenda detalhes do plano de libertação de águas contaminadas no mar

kawamoto takuo / Wikimedia

Central Nuclear de Fukushima, no Japão

O plano do governo japonês prevê a diluição e tratamento das águas antes da sua libertação e a compensação dos setores da pesca, turismo e agrícola da região que possam notar perdas.

Mais de uma década depois do desastre nuclear trazido pelo terramoto e tsunami de 2011, Fukushima vai tentando voltar ao normal, com lugares que estavam interditos à população a começar a reabrir aos poucos.

Um destes exemplos é a vila de Katsurao, que permitiu que alguns antigos habitantes voltassem a poder dormir nas suas casas no final de Novembro, escreve a CNN Portugal. Há já dois anos que os habitantes podiam ir ocasionalmente às suas casas por períodos nunca superiores a duas horas, para começarem já a preparar aos poucos um eventual regresso.

O governo do Japão já fez saber que alguns áreas que estavam interditas devido à radioatividade vão voltar ao normal aos poucos já no próximo ano, como Katsurao e outras seis localidades da prefeitura de Fukushima, que foram alvo de grandes trabalhos de recuperação depois dos danos sofridos com o terramoto e o tsunami.

Foi também conhecido o plano polémico do país para libertar as águas contaminadas que estão na usina. Em causa está mais de 1 milhão de toneladas de água radioativa que o governo quer tratar e diluir para libertar no oceano na Primavera de 2023. O armazenamento desta água custa cerca de 800 milhões de euros por ano.

O executivo já tinha avançado com esta informação em Abril, o que suscitou críticas entre pescadores e ambientalistas e também dos vizinhos da Coreia do Sul e da China. Agora, já há mais detalhes sobre a operação.

O Japão pretende libertar as águas muito lentamente e ao longo de bastante tempo através de um túnel subaquático, sendo que esta vai ser tratada e diluída, pela mão da empresa Tokyo Electric Power Company Holdings Inc., que controlava a central nuclear de Fukushima.

A economia local — especialmente os setores da pesca, turismo e agricultura — também seria compensada pelos danos que o plano possa fazer na reputação da região e seria também financiada a compra e congelamento de pescado que não esteja a ser escoado.

Em colaboração com a Agência Internacional de Energia Atómica, Tóquio compromete-se também a criar um plano de transparência para acompanhar a qualidade das águas.

Em Abril, aquando do anúncio inicial, o Japão já tinha pedido a esta mesma agência uma revisão dos dados sobre o estado das águas na região e conselhos sobre qual a melhor maneira de se abordar o problema das águas radioativas. Essa análise deverá ser divulgada internacionalmente pela agência.

  ZAP //

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