África passa um milhão de casos. Mas ainda existe “janela de oportunidade” para vencer pandemia

O diretor do Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças da União Africana (África CDC), John Nkengasong, disse na quinta-feira que ainda existe uma “janela de oportunidade” para vencer a pandemia em África.

“Ainda temos uma janela de oportunidade para, como continente, vencer a pandemia porque 36 dos 55 estados-membros [da União Africana] ainda registam menos de cinco mil casos de covid-19”, referiu, citada pela agência Lusa.

“Se fizermos um conjunto de coisas corretamente, agressivamente e consistentemente temos boas hipóteses de derrotar esta pandemia, o que inclui usar máscara e aumentar a testagem e a monitorização de casos”, indicou aos jornalistas em Adis Abeba, na habitual conferência de imprensa semanal sobre a evolução da pandemia em África.

Ainda assim, Nkengasong advertiu que não é possível baixar a guarda e mostrar cansaço no combate à covid-19 no continente.

Segundo os dados mais recentes, África contabiliza, hoje, 22.066 mortos devido à covid-19, tendo ultrapassado um milhão de infetados. O número de recuperados é de 690.436.

O maior número de casos e de mortos continua a registar-se na África Austral, com 565.108 infetados e que passou hoje as 10 mil vítimas mortais (10.211). Nesta região, a África do Sul, o país mais afetado do continente, contabiliza 538.184 infetados e 9.604 mortos.

A região da África do Norte, a segunda mais afetada pela pandemia, tem agora 170.224 infetados e 6.968 mortos e na África Ocidental o número de casos subiu para 136.762, tendo passado hoje as duas mil vítimas mortais (2.034).

Já na região da África Oriental, registam-se 85.624 casos e 1.908 mortos, enquanto a região da África Central contabiliza 49.648 infetados e 945 óbitos.

O Egito é o segundo país com mais vítimas mortais, a seguir à África do Sul, contabilizando 95.006 infetados e 4.951 óbitos, seguindo-se a Argélia, que conta hoje com 33.070 casos e 1.260 vítimas mortais.

Entre os cinco países mais afetados, estão também a Nigéria, que regista 45.244 infetados e 930 óbitos, e o Sudão, com 11.780 casos e 763 vítimas mortais.

O aumento de novos casos é inferior ao das últimas semanas, mas Nkengasong referiu que embora seja tentador ver uma diminuição, os números devem ser observados durante várias semanas para determinar a tendência real de infeções num continente de 1,3 mil milhões de pessoas.

Dez países do continente apresentam taxas de mortalidade superiores à média mundial de 3.8%: Chade (8%), Sudão (6.5%), Libéria (6.4%), Níger (6%), Egito (5,2%), Burkina Faso (4.7%), Angola (4.4%) e Argélia (3.8%).

A República Democrática Sarauí regista uma taxa de mortalidade de 20%, mas o responsável do África CDC ressalvou que o país tem um número muito baixo de casos e um surto muito recente.

Do total de infetados, 56% dos doentes recuperaram.

Nkengasong assinalou ainda o facto de o continente ter já realizado 8.8 milhões de testes, o que representa 90% da meta de testagem estabelecida em abril. Mais de 80% dos testes foram realizados em 10 países: África do Sul, Egito, Nigéria, Gana, Marrocos, Quénia, Etiópia, Ruanda, Uganda e Maurícias.

O responsável do África CDC sublinhou ainda que a organização está a atualizar a estratégia de combate à pandemia tendo em conta o gradual fim dos confinamentos e a abertura das fronteiras e das escolas, anunciando o lançamento de uma campanha para “salvar vidas, negócios e escolas”.

“A campanha tem três objetivos: proteger as fronteiras e os viajantes, salvar os negócios e os modos de vida das populações e proteger as escolas”, frisou Nkengasong, sublinhando, neste processo, o contributo do setor privado.

Adiantou ainda neste contexto, que o África CDC está a trabalhar com os países para aumentar os testes nas fronteiras e para harmonizar os critérios para a sua realização. “Os requisitos não estão uniformizados no continente, há países que exigem testes, há países que não e o prazo de validade dos testes ainda não está bem definido”, exemplificou.

O responsável apontou também a necessidade de intensificar a vigilância e a testagem nas escolas, afirmando que estão em preparação orientações para a abertura dos estabelecimentos de ensino.

  // Lusa

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