Já há uma “Biblioteca do Apocalipse” e é o lugar mais seguro do mundo

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Global Crop Diversity Trust / Flickr

O Global Seed Vault, que preserva sementes, fica na mesma mina que o Arctic World Archive que preserva dados.

O Global Seed Vault, que preserva sementes, fica na mesma mina que o Arctic World Archive que preserva dados.

Nunca tanto se falou da possibilidade de estar a chegar o fim do mundo. Uma empresa tecnológica norueguesa já está a preparar esse cenário e criou um arquivo de dados no “lugar mais seguro do planeta” para garantir que, pelo menos essa informação, sobreviverá ao apocalipse.

A tecnológica Piql construiu o Arctic World Archive, um repositório de dados situado numa antiga mina da ilha Svalbard, na Noruega, 300 metros abaixo do solo. Assim, fica garantido que, pelo menos os dados, conseguirão sobreviver a um inevitável apocalipse.

Já tinha sido notícia o Global Seed Vault, uma espécie de arca que contém cerca de um milhão e meio de sementes, de diferentes espécies, com o objectivo de preservar a sua diversidade, no caso de um desastre de grande escala. Situado na mesma montanha e mina, o Arctic World Archive tem um objectivo semelhante mas, em vez de sementes, protege dados.

A Piql, cujo nome é uma referência a um pickle e à sua preservação em vinagre, afirma que os dados, depois de guardados no cofre, serão mantidos em segurança durante pelo menos 500 anos, podendo mesmo chegar aos 1000 anos.

“Desenvolvemos uma nova tecnologia única para a preservação de longo prazo de dados digitais para futuras gerações”, destaca a directora do projecto, Katrine Thomson, em declarações ao Digital Trends.

A mina em que o cofre está situado tem “condições perfeitas, entre 5 a 10 graus centígrados negativos, e a quantidade certa de humidade” para que um projecto destes tenha sucesso, garante Katrine Thomson.

Os dados a preservar são enviados para a empresa, onde são processados e convertidos para um formato de filme analógico fotossensível.

Acredita-se que, apesar da revolução digital, o formato analógico é o mais “resistente” ao futuro, nomeadamente porque não requer comportamentos como actualizações de sistema. É algo mais básico.

Depois de guardados, é impossível alterar os dados, garante a Piql. No entanto, podem ser visualizados a pedido da entidade proprietária. Mas este processo não é instantâneo – por razões de segurança, o repositório não está ligado à Internet, de forma a prevenir eventuais situações de hacking.

Após serem recolhidos, os dados são transformados e enviados por fibra óptica.

“Quando se quiser recuperar os dados no futuro, simplesmente faz-se o scan do filme, usando um dos nossos scanners ou alguma luz amplificadora e um meio de a capturar, como numa câmara, e obtêm-se os dados de volta”, explica Thomson.

“Podemos armazenar todo o tipo de dados, desde imagens e sons a texto“, acrescenta Katrine Thomson, notando que as informações a preservar podem ser enviadas para a empresa através da Internet ou de qualquer outro método de armazenamento.

“A longo prazo, a nossa solução é muito mais acessível do que outras soluções de armazenamento digital, onde as pessoas têm que, continuamente, migrar os dados”, sublinha ainda a directora do projecto.

“O lugar mais seguro do planeta”

A localização do Arctic World Archive oferece ainda outras vantagens. Além de se encontrar numa ilha remota, é uma zona desmilitarizada, por via de um tratado internacional assinado por 42 países, depois da Segunda Guerra Mundial, havendo assim a segurança de que o cofre não pode ser manipulado ou atacado.

O cofre também está protegido contra ataques nucleares, pelo que a empresa diz que estamos a falar do “lugar mais seguro do planeta para uma Embaixada digital”.

Disponível desde 27 de Março deste ano, os governos de Brasil, México e Noruega foram os primeiros clientes da já chamada “Biblioteca do apocalipse”. Os brasileiros terão guardado no cofre documentos sobre a constituição do país, enquanto os mexicanos terão preservado dados históricos que remontam ao tempo dos Incas.

  ZAP // Espalha-Factos

1 Comment

  1. Senhores jornalistas
    “Os mexicanos terão preservado dados históricos que remontam ao tempo dos Incas”.
    Ate pode ser “do tempo dos Incas”, mas transmite a ideia errada.
    Os Incas eram do Peru (principalmente) e em geral do Andes na América do Sul.
    Do México foram as civilizações dos Astecas e os Mayas
    Acredito que o governo mexicano estava interessado en preservar o acervo cultural destas duas civilizações

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