Investimentos em fundos PPR subiram 38% nos últimos dois anos

O número de investidores em fundos PPR aumentou 38% entre Março de 2020 e Março de 2022. No entanto, a subida das taxas de juro e a inflação geram incerteza

Desde Março de 2020 a Março de 2022, houve um aumento de 38% no número de investidores em fundos de Poupança Reforma (PPR). Há agora 450 mil pessoas a investir neste tipo de produto bancário, mais 124 mil, segundo os dados da CMVM.

Este aumento na procura deveu-se às taxas de juro baixas e aos níveis de poupança mais altos, que incentivaram os aforradores a tomar mais riscos. O mais recente estudo da Deco Proteste, relativo a junho, concluiu também que houve uma tendência de crescimento dos fundos PPR e uma redução dos seguros PPR, que passaram de 86% do mercado para 79%.

O crescimento do mercado de fundos PPR mostra que os portugueses, que são geralmente cautelosos, estão dispostos a investir em produtos com mais riscos.

Nos últimos anos, a Deco tem alertado as famílias no sentido de “combater a inércia e incentivar a transferência para um PPR mais rentável e mais adequado ao perfil de cada investidor”, revela António Ribeiro, especialista em assuntos financeiros da associação, ao DN, especialmente com a “diminuição das pensões de reforma” que é “praticamente uma certeza nas próximas décadas”.

Apesar de esta subida nos últimos dois anos, nos últimos meses as ações e obrigações têm perdido valor, o que pode afastar potenciais novos investidores.

“A subida das taxas de juro para travar a inflação e ainda o contexto de guerra e os seus efeitos a médio prazo geram muita incerteza”, afirma António Ribeiro, que acredita ainda que por causa disto “é difícil prever como vai reagir o aforrador e investidor neste contexto. Vai depender muito dos sinais a curto e médio prazo”.

Espera-se assim que os produtos de capital garantido tenham assim uma maior procura, já que os juros são mais elevados, apesar de “renderem praticamente nada“.

  ZAP //

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