Inês Sousa Real foi ao Bolhão, fintou os talhantes e as peixeiras, mas nem assim fugiu às críticas

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José Coelho/Lusa

No Porto, a comitiva do PAN enfrentou dificuldades inesperadas, mas também as tradicionais críticas de priorizar os animais em detrimento das pessoas.

O nono dia de campanha eleitoral do PAN foi passado no Porto, onde coincidiu com o PS, apesar de as comitivas nunca se terem cruzado. Enquanto os socialistas preferiram o município de Matosinhos, Inês Sousa Real e companhia optaram por percorrer as principais artérias da baixa da Invicta, onde, pela manhã, poucos transeuntes passavam para ouvir as mensagens que a porta-voz do partido e Bebiana Cunha, deputada e cabeça de lista no distrito, tinham para transmitir.

Conseguiram-no fazer brevemente na estação de São Bento, onde deixaram escapar a hora de ponta, tendo mesmo de aguardar pelo próximo comboio. Seguiu-se a rua de Santa Catarina, ainda vazia e com a maioria das lojas ainda fechadas. O próximo destino do roteiro era o Campo 24 de Agosto, o que ditava um desvio estratégico do mercado do Bolhão, um clássico das campanhas eleitorais.

Inês de Sousa Real tratou de esclarecer os jornalistas que a comitiva também iria passar por lá, quando o espaço estivesse mais composto. Promessa feita, promessa cumprida. No entanto, e à semelhança do que aconteceu em visitas anteriores a mercados, fez-se mais um desvio estratégico: das bancas de venda de carne ou peixe, uma estratégia do partido para evitar ouvir críticas ou outro tipo de abordagens mais hostilizantes.

Ainda assim, a porta-voz do partido refutou a ideia de que o seu programa eleitoral não apresenta soluções para estas pessoas. “O PAN tem respostas para todas essas pessoas e comércio. Aquilo que o PAN defende é que deve existir de facto uma responsabilidade do ponto de vista da sustentabilidade ambiental e daquilo que é a forma como olhamos para os recursos que não são infinitos“, explicou, citada pelo Expresso.

Como forma de contornar os obstáculos, a porta-voz do PAN virou-se para um vendedor de flores — aparentemente inofensivo — para espalhar a sua mensagem. O que não estava nos seus planos era que o homem em causa fosse um antigo combatente e apoiante de Salazar que chegou a confrontar a Inês Sousa Sousa com as dificuldades que atravessou. “O que é que os políticos fizeram pelos ex-combatentes? Eu cheguei a matar um cão para comer”, afirmou. A declaração foi recebida com natural choque pelos membros da comitiva.

Ao longo do que restou da visita, os membros do PAN esforçavam-se por combater a ideia que o partido prioriza os animais às pessoas. Numa sessão de esclarecimento individual com uma vendedora, Bebiana Cunha fez mais uma tentativa. “No nome do PAN, antes de animais, tem pessoas. PAN em grego significa o todo, a ideia de termos uma sociedade mais justa, mais equitativa e inclusiva, onde todos têm lugar e que têm que ser respeitados. Parece-lhe bem?”, questionou, novamente citada pelo semanário.

Se gostou ou não, se ficou convencida ou não pela mensagem, só as eleições o dirão.

  ZAP //

5 Comments

  1. Suponhamos que toda a gente do mundo se tornava vegetariana. Isso levaria a que fosse necessário produzir cereias, leguminosas e outros tantos vegetais de forma intensiva para satisfazer toda a gente. Facto esse que iria levar e produções intensivas e provavelmente esgotamento da capacidade dos solos. Acabava-se a produção intensiva de animais e começava a produção intensiva de vegetais por todo o lado o que também não seria bom para o ambiente. Já que o Pan defende tanto o ambiente….. A solução para o planeta é o controlo de natalidade. 1 ou 2 putos por casal são suficientes. Afinal é o homem que esgota os recursos para satisfazer as necessidades do homem.

    • Está mal informado. Se por acaso toda a gente se tornasse vegetariana (e não digo que isso seja necessariamente boa ideia), seria preciso muito menos produção de vegetais do que a atual produção para alimentação desses mesmos animais (que são muito mais e consomem muito mais do que as pessoas).

      • E teríamos a extinção, ou quase, de alguns animais como o touro…
        Proibir a caça também é muito sensato: teríamos uns 150 mil criminosos em Portugal para perseguir e prender… além dos pescadores desportivos…
        Ao menos teríamos ração de animais para os humanos convertidos à força…
        Estranha esta democracia do século XXI!

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