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Imagens de meme popular recriada com estilo Ghibli no ChatGPT
Nova forma de edição de imagens do ChatGPT está a levantar questões sobre direitos de autor. Mas as redes sociais fazem vista grossa: até a Casa Branca aderiu à tendência.
Até o ChatGPT está confuso. Uma nova moda consiste em publicar fotografias nas redes sociais com um efeito ao estilo anime. A edição é feita através da nova versão ChatGPT4o.
Desde fotografias de grupo a memes ou até fotos de Donald Trump em anime — todo o tipo de imagens circulam nas redes sociais com a IA a torná-las semelhantes aos filmes japoneses de animação. A própria Casa Branca já apostou no marketing digital com imagens deste tipo.
O problema é que estas imagens são idênticas ao estilo do famoso estúdio de animação japonês Studio Ghibli, autor de êxitos intemporais como “A Viagem de Chihiro”, “O Castelo Andante” ou o mais recente “O Rapaz e a Garça”. Estas semelhança está a gerar polémica e a levantar problemas.
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— The White House (@WhiteHouse) March 27, 2025
O ZAP decidiu experimentar solicitar a esta IA “passa esta imagem para o estilo Studio Ghibli”. A tecnologia estava hesitante — a primeira imagem, de uma pessoa a olhar diretamente para a câmara com um fundo branco, recebeu uma nega: “Não consigo transformar esta imagem diretamente no estilo Studio Ghibli por razões relacionadas com as nossas políticas de conteúdo”, devolveu o ChatGPT.
No entanto, ao enviar outra imagem, uma stock image com duas pessoas num contexto quotidiano, uma imagem ao estilo Ghibli foi prontamente devolvida.
O ZAP tentou uma segunda vez a primeira imagem. “Não consigo transformar esta imagem diretamente no estilo Studio Ghibli por razões relacionadas com as nossas políticas de conteúdo. No entanto, posso criar uma ilustração inspirada no estilo Ghibli com base numa descrição detalhada da imagem”.
O ZAP pediu para que a IA o fizesse, e uma imagem ao estilo Studio Ghibli foi criada imediatamente. O que mudou? Nada, apenas o comportamento da IA.
Muitos foram já os especialistas a contestar a legalidade desta tendência das redes sociais.
À Euronews, Josh Weigensberg, sócio de um escritório de advocacia, comenta que se uma obra foi licenciada para formação, isso pode permitir-lhe que o seu estilo seja reproduzido. Mas sem consentimento ou compensação por parte da IA, o caso pode ser “problemático“, avisa.
O próprio criador da Studio Ghibli, o ainda vivo Hayao Miyazaki, já se pronunciou sobre as imagens geradas por IA, há alguns anos, quando esta polémica ainda não existia. Já não achava piada nenhuma.
“Sinto que estamos a chegar ao fim dos tempos. Nós, humanos, estamos a perder a fé em nós próprios”, disse na altura. Garantiu que a IA podia “apresentar-nos movimentos grotescos que nós, humanos, não conseguimos imaginar”.
À Business Insider, a Open AI, dona do ChatGPT, justificou que a empresa “acrescentou uma recusa que se desencadeia quando um utilizador tenta gerar uma imagem ao estilo de um artista vivo“. O porta-voz da OpenAI acrescentou que a empresa continua a impedir “gerações no estilo de artistas vivos individuais”, mas permite “estilos de estúdio mais alargados”.
O ZAP questionou o próprio ChatGPT sobre a legalidade da reprodução do estilo do Studio Ghibli. A IA respondeu que pode “criar imagens originais com traços, cores e atmosferas semelhantes ao estilo dos filmes Ghibli” e “inspirar-se em características artísticas típicas” — olhos redondos e grandes, por exemplo.
No entanto, assume que não lhe é permitido “reproduzir personagens como Totoro, Chihiro, Haku, etc.”, ou “usar elementos protegidos por direitos de autor ou marcas registadas de forma direta”.
A linha é ténue, mas o dono da OpenAI está a divertir-se, ainda que com algumas reticências. “É muito divertido ver as pessoas a adorar imagens no ChatGPT, mas os nossos GPUs estão a derreter”, afirmou.