/

Antigas comunidades da Ilha de Páscoa dão lição a futuros colonos marcianos

(CC0/PD) Wolk9 / Pixabay

Estátuas Moai, na ilha de Páscoa, no Chile

Por insólito que pareça, as antigas comunidades que ocuparam a Ilha de Páscoa podem oferecer uma importante lição aos futuros colonos marcianos no que toca a como viver em isolamento.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Os antropólogos Carl Lipo e Robert DiNapoli, da Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos, exploram como os padrões da comunidade em Rapa Nui — o nome indígena para a ilha e para o seu povo — ajudaram a ilha isolada a sobreviver desde o seu assentamento até à chegada dos europeus.

“O fascinante da Ilha de Páscoa é que é um ótimo caso de estudo para o que acontece em isolamento absoluto”, disse Lipo, professor de Antropologia, citado pelo HeritageDaily. “Pelo que entendemos, assim que as pessoas chegaram à ilha, acabou. Eles não iam para mais lado nenhum e não havia mais ninguém a chegar”.

A Ilha de Páscoa é um dos lugares habitados mais remotos da Terra, a mais de 1.500 quilómetros de distância dos vizinhos mais próximos.

Embora fosse pequena — com 24 km de comprimento e cerca de 11 km de largura —, Rapa Nui tinha vários clãs e pequenas comunidades que mantinham a separação cultural e física. Análises de ADN e isótopos revelaram que membros de uma determinada comunidade não casavam sequer com pessoas de outro clã.

Os investigadores concluíram que estas pequenas comunidades podem ter sido um baluarte cultural contra um fenómeno conhecido como deriva genética.

Se uma população for pequena e isolada o suficiente, tecnologias importantes e estratégias de sobrevivência podem perder-se devido a isto.

“Digamos que o meu pai morreu antes de ser capaz de me ensinar alguma tecnologia importante e ele é a única pessoa que sabia como fazê-la”, disse DiNapoli. “Isto pode ter um impacto negativo numa população pequena e isolada, onde eles nunca irão interagir com outro grupo de pessoas que podem dar-lhes estas ideias novamente”.

Nos últimos anos, os investigadores construíram diferentes tipos de modelos para mostrar quais fatores impulsionam as mudanças na diversidade dos traços culturais ao longo do tempo. Um fator importante é o número de pessoas na população a trocarem ideias entre si.

DiNapoli sublinha que, embora pareça um contrassenso, grandes populações onde todos interagem entre si podem passar por uma mudança cultural mais forte.

Lipo e DiNapoli exploraram o impacto dos padrões espaciais distintos da ilha na retenção de informações culturais. Eles localizaram comunidades, configuraram as maneiras como essas comunidades poderiam interagir e o que afetaria essas interações na persistência de diversos traços culturais.

Os autores descobriram que quanto maior o número de subgrupos com interação limitada, maior a probabilidade de uma população reter informações culturais potencialmente benéficas.

“Certamente que se perdeu muito, mas eles tinham estes mecanismos para valorizar as tradições orais e poder transmiti-las”, disse Lipo. “É uma sobrevivência incrível, apesar das probabilidades limitadas. Muito foi escrito sobre o lado negativo e acho que ainda não começamos a apreciar a engenhosidade das pessoas”.

  Daniel Costa, ZAP //

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.