Identificada região do cérebro que codifica confiança na tomada de decisões

Liz Henry / Flickr

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Uma equipa de investigadores da Fundação Champalimaud identificou, numa experiência com ratinhos, a região do cérebro responsável pela codificação do sentimento de confiança que condiciona o tempo de espera na tomada de uma decisão.

Ao desativarem com um composto químico a atividade dessa zona cerebral, o córtex orbitofrontal, que desempenha um papel importante na avaliação dos resultados das decisões e na aprendizagem, os cientistas verificaram que os ratinhos esperavam simplesmente pela recompensa – beber água.

“A sua decisão não foi afetada, mas tinham dificuldade em variar o seu tempo de espera” para tomar essa decisão, disse à Lusa um dos investigadores, Gil Costa, estudante de doutoramento a trabalhar para o Programa Neurociências da Fundação Champalimaud.

Na experiência, os ratinhos tiveram uma dificuldade para chegar à água: cheirar dois odores, um mais parecido com limão, outro com lima.

Perante cheiros semelhantes, os roedores demoravam mais ou menos tempo a esperar pela água, o que, no entender dos investigadores, reflete o grau de confiança na decisão, de que lhe trará ou não bons resultados, neste caso o acesso ou não à água.

“Sabemos esperar por um autocarro se estamos confiantes de que vai chegar” à paragem, comparou Gil Costa.

Além de terem identificado a região do cérebro responsável pela codificação do sentimento de confiança, o córtex orbitofrontal, a equipa de cientistas definiu uma fórmula matemática para o tempo ótimo de espera para cada grau de confiança.

“O modo como se tomam decisões mais certas ou erradas pode estar relacionado com a forma como geramos no cérebro estimativas de confiança, uma das variáveis usadas para percebermos melhor o mundo que nos rodeia”, assinalou Gil Costa.

O próximo passo da investigação, desenvolvida pela Fundação Champalimaud em colaboração com o Cold Spring Harbour Laboratory, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, será estudar outras possíveis áreas do cérebro relacionadas com as estimativas de confiança e descobrir de onde vem o grau de incerteza que leva a cometer erros.

“Por que é que os animais altamente treinados continuam a fazer erros? Pensamos que não sabem muito bem escolher”, disse o investigador, associando esse comportamento a “níveis de incerteza”.

A equipa pretende continuar a fazer, em laboratório, comparações entre os comportamentos dos animais e dos humanos e testar se o valor de uma recompensa – dar mais ou menos água no caso dos ratinhos – altera o grau de confiança e o tempo de espera para tomar uma decisão.

“Vão esperar mais, menos” pela recompensa?, questionou Gil Costa.

As conclusões do estudo foram publicadas esta quinta-feira na revista Neuron.

/Lusa

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